“Ainda tem que evoluir, mas falta bem pouco”, diz Soninha Francine sobre mulher no esporte

Soninha Francine fala sobre a cobertura esportiva no Brasil.

Atualizado em 05/06/2014 às 16:06, por Gabriela Ferigato.



Durante dez anos, a jornalista e política Soninha Francine trabalhou como apresentadora, produtora e diretora na extinta MTV. Lá, foi escalada para narrar o programa “Rock & Gol”. Essa participação rendeu bons frutos para a repórter, que foi convidada, durante a Copa do Mundo de 1998, a comentar partidas da Seleção pela TV Cultura e para a ESPN.
Crédito:Divulgação Soninha Francine cobriu as Copas do Mundo de 1998, 2002 e 2006 “Foi a primeira vez que tive oportunidade de fazer comentários na televisão. Eu morri de medo, porque era devota da ESPN. Mas não podia perder essa chance. Então fiquei como comentarista convidada e, depois que terminou o Mundial de 98, o José Trajano, diretor da emissora na época, voltou para o Brasil e me convidou para fazer parte da equipe como membro fixo. Tive muito prazer em comentar futebol ao lado de caras que eu admirava tanto”, conta.

A segunda Copa da jornalista foi em 2002, já na equipe da ESPN. Segundo ela, nesta edição a TV Globo deteve sozinha os direitos do evento, o que dificultou a cobertura. “Fizeram um lance altíssimo para ficar com exclusividade. Recebíamos as fotos dos jogos muito tempo após a partida e podíamos usar apenas por 24 horas”, afirma.

Paralelo a isso, Soninha também comentava os jogos pela rádio Globo/CBN por telefone. “Era o esquema mais bizarro. Eu ficava em casa, com a televisão ligada, mas no mudo, para não interferir. Na final do jogo do Brasil, eu estava sozinha em casa e com a tevê sem som. Meu marido teve que ir assistir ao jogo no bar da esquina”, lembra. Em 2006, a jornalista cobriu sua primeira Copa in loco, na Alemanha.

Para a jornalista, não há dúvidas que a mulher ganhou mais espaço no jornalismo esportivo. “Ainda tem que evoluir, mas falta bem pouco. Hoje, para começar, ela tem oportunidades. Quando comecei, éramos exceções. Há um bom tempo nos deparamos com mulheres fazendo reportagem em campo, editando jornal de esporte e comentando com liberdade”, opina.

Uma coisa que incomoda Soninha é o comentário: “A apresentadora é um colírio aos olhos ou A musa do jornalismo esportivo”. “Então para ser mulher e falar de futebol tem que ser bonita? Acho que tem que acabar tanto com a condenação prévia, do tipo ‘mulher não entende nada’, como o elogio condicionado, ‘ela é mulher, mas entende”.
Acompanhe o especial "A IMPRENSA na Copa do Mundo". Acesse o