Agência Pública lança serviço que usa IA para elaborar áudios de reportagens escritas

A Agência Pública começou a usar hoje o programa ElevenLabs, que usa inteligência artificial (IA) para elaborar áudios a partir de textos desuas reportagens.

Atualizado em 26/10/2023 às 13:10, por Redação Portal IMPRENSA.

Segundo a empresa, o sistema usa voz e cadência "que soam naturais e engajantes".
Batizado de Reportagem para Ouvir, o serviço, que terá uma nova reportagem por semana e também poderá ser acessado pela URL das reportagens, é finalista do Applied AI Journalism Challenge, promovido pela Open Society Foundations. A novidade também será apresentada no festival de jornalismo Splice Beta, que acontece na Tailândia, em novembro. Crédito: Reprodução Agência Pública Serviço busca ampliar acesso às reportagens invetigativas da Pública Diretora executiva da Agência Pública, Natalia Viana lembra que o uso de AI no jornalismo envolve problemas éticos, incluindo substituição da mão de obra e a cooptação de redações por empresas que não querem ser reguladas. “Por isso buscamos uma solução que ajude, em vez de atrapalhar, o jornalismo. Com o Reportagens para Ouvir, vamos ampliar o acesso às nossas investigações e atrair novos públicos”.
Política de IA

Além de versões em português, o ElevenLabs converte partes dos textos para o inglês automaticamente. A voz escolhida para os áudios foi da jornalista Mariana Simões, que narrou os podcasts da Agência Pública Histórias que Ninguém te Conta e Cientistas na Linha de Frente.
“De agora em diante, a IA estará cada vez mais presente em nossas vidas. Decidi ceder minha voz para esse experimento para começar a entender como podemos usar essa nova ferramenta em prol do jornalismo independente,” diz Mariana.
Em paralelo ao lançamento, a Agência Pública publicou sua política para uso de IA. “Um dos nossos compromissos é jamais usar inteligência artificial generativa para escrever reportagens”, diz Natalia Viana. “Nossa produção valoriza o repórter e a reportagem, e aposta em um jornalismo humano, que aprofunda o conhecimento e revela as nuances de realidades complexas. É justamente o tipo de jornalismo que robô nenhum será capaz de substituir”.