Agência é acusada de transfobia por comparar travestis a peças falsas

Uma campanha desenvolvida pela agência publicitária Leo Burnett Tailor Made gerou polêmica nas redes sociais e é acusada de transfobia. Intitulada "The Shemale Calendar" ("O Calendário Travesti"), feita para a empresa de peças Meritor, o anúncio visava destacar a importância de usar peças originais nos veículos.

Atualizado em 22/10/2015 às 15:10, por Redação Portal IMPRENSA.

Leo Burnett Tailor Made gerou polêmica nas redes sociais e é acusada de transfobia. Intitulada "The Shemale Calendar" ("O Calendário Travesti"), feita para a empresa de peças Meritor, o anúncio visava destacar a importância de usar peças originais nos veículos. Porém, acabou comparando os travestis a peças falsas.
Crédito:Reprodução Campanha de 2013 foi considerada transfóbica
De acordo com o Meio&Mensagem , a publicidade foi criada em 2013 e ganhou repercussão ao ser publicada no shortlist da área de Design Gráfico do 39º Anuário do Clube de Criação, que revelou seus vencedores em 2014 e teve sua edição impressa lançada no mês passado. Na última quarta-feira (21/10), a publicação viralizou e a peça foi classificada como desrespeitosa.
A publicidade tinha como mote a frase: "Se não é original, mais cedo ou mais tarde, você sente a diferença". O calendário foi direcionado aos mecânicos, já que, de acordo com a descrição do material, tais profissionais compram peças não originais por serem mais baratas.
Em comunicado, Marcelo Reis, um dos criadores da campanha e atual co-presidente da LBTM, afirmou que o calendário foi elaborado há mais de dois anos, de maneira “equivocada”, mas sem a intenção de ofender ninguém.
“Já na primeira semana de distribuição solicitamos para as oficinas que não fosse fixado nas paredes. A peça foi inscrita no festival do Clube de Criação por uma falha nossa. Somos uma empresa que sempre respeitou e apoiou a diversidade. Eu, Marcelo Reis, peço desculpas. Lamentamos o constrangimento causado. Já solicitamos ao Clube de Criação que o trabalho seja retirado do Festival, por não estar alinhado com nosso modo de pensar e agir”, disse.
A Meritor alega não possuir qualquer responsabilidade sobre a campanha e diz não ter autorizado a ação, embora admita que há possibilidade de que um colaborador tenha aprovado inapropriadamente. Na ficha técnica, há o nome do gerente de produtos e marketing, Marcelo Rosa. A companhia informou que levanta detalhes sobre o assunto.
A publicação no Facebook foi excluída após a repercussão negativa. Em seu site, o Clube de Criação reforçou que recebe inscrições de trabalhos criados por qualquer agência do mercado publicitário do país. A única exigência é que as peças tenham sido veiculadas. Como o trabalho foi inscrito na categoria Design Gráfico, era preciso apenas uma carta, assinada pela agência e pelo anunciante para comprovar que os calendários foram entregues.
Assista ao vídeo: