Agência de notícias ajudou a mudar imagem dos árabes na imprensa brasileira

Quando foi criada a Agência de Notícias Brasil – Árabe (Anba), em 2003, a mídia brasileira ainda possuía uma agenda negativa sobre a cobertura da região.

Atualizado em 20/03/2013 às 16:03, por Luiz Gustavo Pacete.



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Segundo Alexandre Rocha, editor executivo da Anba, a cultura árabe é muito mais do que isso. De olho no viés positivo e com um foco na área de negócios, a Câmara Árabe criou um veículo que, dez anos depois, consegue, ainda que de forma discreta, pautar os grandes meios.
Completando 10 anos em 2013, o veículo já recebeu 11 prêmios e foi muito além de cumprir o papel de meio segmentado e expandiu sua cobertura.

Em um contexto em que cada vez mais empresas árabes e brasileiras estão se relacionando, a Anba anuncia a criação de um novo site que vai ao ar no dia 25 de março, no Dia Nacional da Comunidade Árabe.

Divulgação Alexandre Rocha Rocha fala sobre a cobertura dos países árabes e aponta as mudanças de abordagem sobre a região nos últimos dez anos.

IMPRENSA – Qual foi o contexto que deu origem à agência em 2003? Alexandre Rocha - A ideia era justamente criar um canal que proporcionasse um noticiário diferente sobre o Oriente Médio do que estamos acostumados. Geralmente, quando se falava sobre a região ou era petróleo, ou conflito e questões religiosas. Sempre uma agenda negativa. A ideia da Câmara Árabe era criar um noticiário voltado para negócios e mostrar que a região tem muitas oportunidades e várias coisas acontecendo.
A pauta da agência vai de política à moda? Nosso foco é economia e negócios, falamos principalmente sobre comércio exterior e questões macroeconômicas, tanto sobre o Brasil, como dos países árabes. Oportunidades de negócios e investimentos em grandes projetos. Marginalmente, tratamos de outros temas que tenham alguma relação como diplomacia, esporte e cultura.
Como vocês lidam com outros veículos? Fornecem conteúdo? Somos como a Agência Brasil, nosso conteúdo pode ser usado gratuitamente, desde que citado a fonte. Temos até um acordo com a agência de troca de material. A ideia é essa, que além de leitores, os veículos possam utilizar nosso material.
Mudou o olhar da mídia brasileira sobre a região? De maneira geral, a gente tem percebido que existe um interesse maior sobre outros temas. Tem jornalista que procura a gente porque leu alguma coisa e ligou pedindo indicação de fontes para explorar algum viés que não seja o tradicional. Geralmente, esses profissionais procuram personagens e histórias de imigrantes, pessoas da comunidade. Acabamos por fazer a ponte entre imprensa e personagens.

Divulgação Equipe da Anba
Ainda existem estereótipos e desconhecimento sobre o mundo árabe? Vem melhorando um pouco. Se olharmos para o passado, nenhum veículo tinha correspondente no Oriente Médio. A Folha tem em Jerusalém. No Irã, que não é um país árabe. Estadão também tem correspondente na região. Isso ajuda a quebrar o olhar das agências, onde predominam informações de americanos e europeus.
Como o brasileiro é visto na região? Existe uma simpatia pelos brasileiros. As portas da região sempre estão abertas. Isso facilita muito na hora de fazer matérias. Da parte deles também existem estereótipos. Muita informação que chega até lá é de agência. No início da agência, ligávamos para as empresas e economistas na área de comércio exterior e eram poucas as companhias que tinham negócio com países árabes e vice-versa. Hoje, ou a empresa já exportou ou já procurou saber como exportar.