Agência Carta Maior anuncia mudança no perfil e desligamento de jornalistas

Agência Carta Maior anuncia mudança no perfil e desligamento de jornalistas

Atualizado em 10/08/2007 às 19:08, por Cristiane Prizibisczki/Redação Portal IMPRENSA.

Por

A Agência Carta Maior publicou, nesta sexta-feira (10/08), editorial em que anuncia a adoção de um novo perfil. A decisão, resultado de uma crise que a Carta Maior vem passando desde o início do ano, implicou no desligamento de quase toda a sua redação: dos 20 jornalistas que integravam o grupo no início do ano, 10 foram se desligando da empresa no primeiro semestre e outros oito nesta última semana.

No texto, assinado pelo editor chefe da Agência, Flávio Aguiar, e pelo diretor presidente, Joaquim Palhares, a Carta Maior diz que o espaço será utilizado para aprofundar a "discussão do socialismo como exigência da democracia", ampliando, o "espaço para artigos de reflexão, análise e propostas."

"A Carta Maior não está para fechar, nem agora nem no futuro próximo, Mas estamos assumindo um novo perfil. É uma decisão difícil, que exige ajustes e um tempo de maturação", diz o início do editorial.

No decorrer do texto, a agência comunica que continuará com os debates de temas da atualidade, inclusive com transmissão direta pela TV Carta Maior, "onde couber", e com a cobertura dos Fóruns Sociais Mundiais e seus correlatos desdobramentos, "mas haverá menos reportagens e matérias de cobertura de acontecimentos imediatos".

Ao anunciar os desligamentos, o editorial lançou mão de certo eufemismo: "Para garantirmos a sobrevivência da página torna-se imperioso reduzir a redação. Queremos registrar aqui os nomes desses companheiros e companheiras que deram e continuarão dando contribuição indelével para a democratização da comunicação no Brasil, mas que tiveram e terão de buscar sua condição de sobrevivência de outra forma".

Segundo a jornalista Bia Barbosa, demitida nesta segunda etapa de "reestruturação", os profissionais não foram pegos de surpresa, já que as discussões sobre a manutenção do site vinham sendo feitas desde o início da crise financeira. "Ninguém saiu bravo ou achando que as demissões foram uma decisão da empresa. Não houve outra alternativa, pois chegamos a um limite financeiro inviável", disse ela em entrevista ao Portal IMPRENSA.

Apesar desta "morte anunciada", Bia diz que o clima da redação é, inevitavelmente, de tristeza. "Está todo mundo triste, claro. A Carta Maior era um espaço diferenciado, onde tínhamos liberdade para escrever, na linha editorial e na pauta", explica.

Quando questionada se a redução da equipe não acarretaria em uma diminuição do "espaço democrático", prerrogativa defendida no artigo, Bia afirma: "O debate democrático será mantido sim, mas de outra forma. A mudança no perfil não vai influenciar na proposta editorial. É claro que uma redução de equipe tem influência no tipo de conteúdo, mas não dá para afirmar que, por isso, seremos menos democráticos. Pelo menos, espero que não".