África ao rés do chão
África ao rés do chão
NOUAKCHOTT, MAURITÂNIA, 15 DE ABRIL, 15H
A barrinha azul que mostra como anda a transmissão do vídeo chega à metade, depois de duas horas. Uma hora de internet nesta terra ocupada pelo Marrocos custa R$ 0,50. Uma cerveja pequena em terreno muçulmano, R$ 7,50. Se engana quem pensa que uma conexão tão barata é muito ruim. É terrível. Em geral não é um problema encontrar internet na África urbana. O problema é a qualidade. É possível ver e-mails, mas transmitir um vídeo de 20 Mb pode levar três horas. Isso quando uma oscilação na rede não provoca o pior. A barra está em 73% quando soa o clássico barulhinho de alerta para algo que deu errado: "você não tem acesso ao FTP, comece de novo", diz a mensagem. "Puta que o pariu..." Por sorte a muçulmana que distribui as senhas não entende português. Um jornalista sem internet é 73% de um jornalista.
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