Afinal, de quem é a responsabilidade?/Por Lígia Bazotti - IMES

Afinal, de quem é a responsabilidade?/Por Lígia Bazotti - IMES

Atualizado em 11/10/2005 às 16:10, por Lígia Bazotti e  aluna de Jornalismo da Universidade IMES.

Quem trabalha na Febem, como eu, vê coisas que jamais imaginou ver, passou por momentos que nunca pensou passar...

Num dia bem tranqüilo os telefones começaram a tocar sem parar, alguns para avisar que um grupo de manifestantes estava chegando na sede, e outros, da imprensa, querendo saber o que estava acontecendo. De repente um caminhão do Sindicato com várias mulheres estacionou a frente do prédio e começaram as manifestações.

Era um grupo de mães de internos querendo reivindicar a situação dos filhos. Elas diziam para a presidente da Fundação, pelo microfone: "A Febem não está cuidando dos nossos filhos, você é uma irresponsável, não presta!"

"Como assim, a Febem não cuida do seu filho? Alguma coisa está errada, quem deveria ter cuidado do seu filho é você!", eu ficava pensando. "Será que por você não ter cuidado dele como deveria é que ele está aqui hoje?", era a pergunta que não queria calar.

Primeiramente, por que os "filhos dessas mães" estão na Febem? Será que elas não souberam cuidar ou são eles que não prestam? Engraçado, que essas perguntas entram em contradição ao que elas diziam se referindo à Dra. Berenice Giannella.

Outro ponto revoltante é que nós, cidadãos, pagamos para esses internos viverem na Febem. Eles comem, estudam, dormem, tomam banho, fazem esporte, cursos profissionalizantes, música e muitas outras coisas que talvez você mesmo pode não ter condições de pagar para o seu próprio filho fazer.

Isso pode até ser engraçado, mas situações como essas só quem trabalha na Febem sabe o que são!