Advogados de Assange processam CIA por violação de conversas confidenciais
Advogados do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, estão processando por espionagem a CIA, seu ex-diretor Mike Pompeo, a empresa espanhola de segurança UC Global e seu executivo David Morales.
Atualizado em 19/08/2022 às 11:08, por
Redação Portal IMPRENSA.
A ação alega que eles violaram direito constitucional de Assange à proteção de conversas confidenciais entre cliente e advogado. As violações teriam sido cometidas entre janeiro de 2017 e abril de 2018, quando Assange estava asilado na embaixada do Equador em Londres.
O advogado Robert Boyle, que integra a defesa do fundador do WikiLeaks, afirmou que o direito à defesa do jornalista “foi maculado, ou até destruído”. A UC Global foi contratada pelo governo do Equador para garantir a segurança da embaixada de Londres. Segundo a ação, após acordo com a CIA, a empresa implantou microfones e câmeras escondidas para espionar Assange e seus visitantes, copiando os dados de celulares e computadores de quem o visitava e os repassando à agência norte-americana. A operação teria sido supervisionada por Pompeo.
Reportagem investigativa
O processo é baseado em reportagem investigativa publicada no Yahoo em 2021, que indicou que a CIA planejou sequestrar e assassinar Assange e que o WikiLeaks era considerado pelo governo dos EUA “uma agência hostil não-estatal”.
Assange está na prisão de segurança máxima de Belmarsh, em Londres. Ele deve ser extraditado para os EUA por ter vazado documentos que foram publicados em jornais de todo o mundo e revelam crimes de guerra dos EUA e países aliados cometidos no Iraque e Afeganistão. Nos EUA, Assange pode ser condenado a 175 anos de prisão. Seu caso é considerado um símbolo mundial de ataque à liberdade de imprensa.
No Brasil, a Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados pode homenagear o fundador do WikiLeaks. Uma moção sobre o tema foi apresentada pelos deputados David Miranda (PDT-RJ) e Paulo Ramos (PDT-RJ). A medida visa destacar a contribuição de Assange na divulgação de crimes de guerra.





