Acordo entre PM e emissoras ajuda a combater crimes em SP
IMPRENSA acompanhou o trabalho de comunicação da Polícia Militar do Estado de São Paulo
Para exercer tal função, a Polícia Militar do Estado de São Paulo mantém desde 1969 um núcleo estratégico que leva o nome de 5° seção, onde são pensadas e planejadas as estratégias de comunicação da corporação. Entretanto, uma nova célula foi criada em 2010, justamente pela importância de tratar a imagem da companhia de forma mais assertiva.
O núcleo batizado de C.Com.Soc (Centro de Comunicação Social) é responsável pela parte de execução da comunicação da PM e do contato direto com os jornalistas. Criado pelo alto número de demandas, dentro do CComSoc existe a divisão de imprensa chefiada pelo major Marcel Lacerda Soffner, o núcleo vem ganhando cada vez mais espaço dentro da corporação. A partir deste ano, contará com verba especifica para as ações estratégicas.
Localizada na Praça Tiradentes, região do Bom Retiro, centro de São Paulo, a assessoria de imprensa da polícia congrega 15 profissionais que se revezam em turnos. Por dia o departamento atende cerca de 70 demandas da imprensa. "Felizmente conseguimos avançar em termos de comunicação. Nosso atual Comandante Geral possui uma visão de que essa área é de fundamental importância e deve ser visto também como prestação de serviço", diz Soffner.
O Major destaca um dos principais casos de sua gestão: o "Falso Sequestro", que, em 2007, chegou a um pico de três mil denúncias por mês e foi solucionado por um plano estratégico de comunicação. "Nós conseguimos executar um sofisticado planejamento que não dá para executar sempre. Mapeamos os problemas de falso sequestro que estavam ocorrendo. Treinamos nossos profissionais, e, no dia em que surgiu a primeira oportunidade, fizemos uma coletiva de imprensa e convencemos a vítima a falar com as emissoras, após um acordo com os veículos de preservação de imagem da fonte.
Firmamos um compromisso com os veículos e o tema ganhou repercussão impactando na redução de 80% nas ocorrências", relata. Posteriormente, o Major destacou que o aumento em mídia espontânea foi de 592%. Se fosse pago, resultaria em um investimento da ordem de R$1.8 milhão.
Outro avanço da corporação está na área de treinamento e de educação. De acordo com a Tenente Cibele Marsolla, a entidade se preocupa em formar seus profissionais na área da comunicação, principalmente qualificá-los para que em caso de entrevistas não utilizem expressões técnicas e tenham desenvoltura ao falar. No dia em que IMPRENSA falou com a tenente um aluno estava tomando consultas sobre um TCC sobre a influência da mídia na segurança pública.
Assista a entrevista entre o repórter e o Major Soffner:
Relevância
Diferente de uma empresa privada nós temos facilidade de inserção nos veículos. Naturalmente isso é fruto do interesse e da relevância do tema por parte dos jornalistas. É claro que na nossa rotina incluímos o trabalho ativo quando vendendo algumas pautas que podem ser tanto institucionais como pontuais no caso de uma operação de trânsito, por exemplo.
Desafios
Nossa grande missão é administrar demandas que chegam de todo o estado; são cerca de 70 diariamente. Para isso, nossa prioridade é sempre ter pronta uma resposta. E isso melhorou bastante, depois que saímos da 5° seção para virar o C.Com Soc.
Porta - voz
Hoje nós temos duas categorias de porta-voz. O primeiro é o "latu sensu", aquele que trata do fato. Por si, só um PM já é um porta-voz da corporação, e pode falar. O detalhe é que ele não pode entrar em méritos de opinião. O que deve fazer ? falar sobre o fato, sobre a apreensão, sobre o acidente ou a operação. Já o outro porta-voz, o "strictu sensu", é responsável por posicionamentos estratégicos da companhia e temas mais complexos.
Sensacionalismo
Tentamos atender cada veículo de acordo com seu perfil. Mesmo esses jornais da tarde que, muitas vezes, têm um mote mais sensacionalista, conseguem apurar e fazer o trabalho de jornalismo de forma correta. É claro que um sensacionalismo fora de medida pode prejudicar nosso trabalho e até mesmo a imagem da corporação. Quando acontece isso, tentamos aproveitar o espaço para esclarecer e informar.
Hora do Rush
O Portal IMPRENSA passou a tarde da última sexta-feira (15), no C.Com.Soc e acompanhou a rotina dos policiais em um dos horários mais agitados para o departamento. Essa hora do rush acontece, inlcusive, em função dos telejornais policiais, sobretudo os programas "Brasil Urgente" e o "Cidade Alerta". A reportagem também acompanhou a gravação de uma entrevista do capitão Sérgio Marques para o Jornal Nacional.
Crédito:
Centro de Comunicação da Polícia Militar do Estado de São Paulo
15h25 - Soldado da academia é atendido pelo major Soffner e recebe dicas sobre seu TCC relacionado à mídia e segurança pública.
16h40 - Major atende por telefone jornalistas com pautas específicas.
17h05 - Começa o Brasil Urgente. A atenção dos assessores aumenta.
17h07 - Policiais conversam para definir se uma operação prestes a acontecer deve ser divulgada ou não. A decisão é segurar a nota por enquanto.
17h30 - Começa o programa Cidade Alerta. Agora. Datena e Faciolli disputam a atenção dos militares.
17h40 - Principais jornais estão fechando e aumenta o número de ligações com checagem de informações.
17h50 - Equipe do Jornal Nacional que virá para entrevistar o capitão Sérgio Marques avisa que vai atrasar por causa do trânsito.
Crédito: Alan Severiano entrevista capitão Sérgio Marques
18h01 - Ao vivo, Datena critica a ação da Polícia em relação a gangue das pedras. Todos assistem, ninguém reage aos comentários do apresentador.
18h20 - Chega a equipe do Jornal Nacional. Capitão Sérgio desce para a praça e começa a marcação com o repórter.
19h00 - Soffner passa as coordenadas de operações para o sargento que ficará de plantão durante o final de semana.
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