Acho que vi, manda de novo?

Acho que vi, manda de novo?

Atualizado em 01/10/2009 às 17:10, por Lucia Faria.

Quem está nas redações costuma reclamar bastante das ligações dos assessores de imprensa a respeito de sugestões de pautas enviadas. O caso é antigo, desde o tempo em que os releases seguiam via correio. Depois, com o avanço da tecnologia, mudaram para o fax. As pilhas de papel cresciam nos escaninhos e de vez em quando, na hora da faxina, as notícias velhas entupiam as latas de lixo. Uma ligação do assessor no momento certo e com a abordagem pertinente fazia com que o fax passasse do subsolo para o topo da pilha.

O problema era quando o assessor atormentava muito. Primeiro ligava para avisar que ia mandar o fax. Depois, para checar se ele chegou legível. E, na terceira vez, com a fatídica pergunta: "E aí?". Claro que não tão informal assim, serve apenas para ilustrar o número de vezes que ele tinha de fazer o tal do follow up (FUP para os íntimos).

O tempo passou, porém, pouco mudou. A tecnologia fez surgir o e-mail e agora é a caixa de entrada dos jornalistas que fica entupida com tantos releases. Alguns pertinentes, com bom conteúdo. Outros mais ou menos. A impressão que dá, no entanto, é que está tudo indo para o lixo digital sem um olhar mais atento de quem, teoricamente, deveria separar o joio do trigo.

No nosso cotidiano não temos como escapar dos releases. Nem queremos. Mas, na maioria das vezes, oferecemos pautas diferenciadas, focadas no perfil do veículo. Sempre que possível também sugerimos entrevistas exclusivas, em primeira mão. Nesses casos, fazemos um levantamento completo dos dados, buscamos números interessantes, pesquisas e outros dados relevantes. Explicamos no e-mail que se trata de algo exclusivo, que precisamos de resposta breve sobre o interesse ou não etc. Depois aguardamos o retorno. E o que acontece? Nada. Só nos resta o tal do FUP. Alguém no mundo acha que um assessor gosta mesmo de fazer follow up?

O pior está por vir. A resposta comum pelo telefone é: "humm, acho que vi o e-mail, sim, mas me manda de novo?". O atendimento da conta manda. Espera mais um dia e nada. Liga de novo.... e assim segue nessa irritante situação. Depois da canseira de dias, a negativa. E começa tudo de novo com outro veículo, com processo muito parecido. O querido amigo Francisco Fukushima, quando estava no Meio & Mensagem, recebia o apelido carinhoso de "terror das assessorias". Muitas colegas temiam o velho Chico, pois era taxativo: sim ou não, na lata, seja por e-mail, telefone ou pessoalmente. Aqui, na agência, adorávamos esse jeito decidido de ser. Afinal, quem tem tempo para enrolação?