"Achei que o "Manhattan Connection" não sobreviveria à morte de Paulo Francis", diz Lucas Mendes
"Achei que o "Manhattan Connection" não sobreviveria à morte de Paulo Francis", diz Lucas Mendes
Um programa anárquico, descontraído e cheio de opinião. Esta pode ser uma definição resumida do programa "Manhattan Connection", que completa quinze anos no ar, exibido semanalmente pelo canal a cabo GNT.
Na manhã desta terça-feira (11), Caio Blinder, Diogo Mainardi, Lucas Mendes, Lúcia Guimarães e Ricardo Amorim, apresentadores da atração, acompanhados por Leticia Muhana, diretora do GNT, receberam a imprensa para um café da manhã, no qual lembraram passagens inusitadas do programa e falaram sobre as mudanças ocorridas durante os anos. "Nossa primeira transmissão aconteceu no dia em quem houve a primeira tentativa de atentado às Torres Gêmeas, nos Estados Unidos", conta Lucas Mendes, um dos idealizadores do projeto.
Na formação original, a bancada era composta por Lucas Mendes, Paulo Francis, Caio Blinder e Nelson Motta. Mais tarde, Lúcia Guimarães saiu dos bastidores para compor o quinteto, sempre no último bloco, com um uma matéria de cultura. Desde então, profissionais de renome participaram do programa, tais como Gerald Thomas, Roberto DaMatta e Arnaldo Jabor .
Gravação sem áudio
Tantos anos de estrada não poderiam deixar de render boas histórias de bastidores. Certa vez, problemas técnicos atrasaram muito a gravação e o então apresentador Arnaldo Jabor perdeu a paciência. "O Jabor tirou o microfone, saiu do estúdio muito bravo. Tiveram que ir buscá-lo quase na rua", diverte-se Mendes.
Em outra passagem, toda a gravação do programa já havia sido feita. Quando terminou, os apresentadores souberam que um problema técnico impediu que o áudio fosse registrado. Ou seja: trabalho perdido. "Fiquei até enjoado na hora. Tivemos que fazer tudo de novo", lembra Lucas. "Mas no final, a segunda vez foi melhor que a primeira", completa Lúcia.
Sem Paulo Francis
Em seu quarto ano de existência, o "Manhattan Connection" sofreu uma difícil perda. O jornalista Paulo Francis, um dos apresentadores mais marcantes, faleceu, em fevereiro de 1997, vítima de um ataque cardíaco.
Na ocasião, Lucas Mendes acreditou que seria o fim da atração. "Não via como seguir o programa sem ele. Para mim, havia acabado. Mas a Letícia Muhana, diretora da GNT, me deu uma bronca e disse que as coisas se resolveriam". A decisão foi tirar do ar o programa por seis semanas. No retorno, a cadeira de Francis passou a ser ocupada por convidados. Quase seis meses depois, a idéia era que Gerald Thomas permanecesse na atração, mas como não houve acerto com o canal, Arnaldo Jabor ocupou a bancada.
Nelson Motta deixou o programa em 2001. Já em 2003, Ricardo Amorim integrou o elenco fixo, após ter participado como convidado. E, em outubro do mesmo ano, foi a vez de Diogo Mainardi ocupar uma cadeira, no lugar deixado por Jabor.
O estilo lacônico de Mainardi
No ano de 1995, indicado por Paulo Francis, o jornalista Diogo Mainardi participou como convidado do "Manhattan Connection". "Entrei no estúdio, não falava nada. Tive um desempenho péssimo", lembra.
Hoje, o colunista de Veja - bem mais desenvolto, diga-se - acostumou-se à rotina da televisão e participa de forma ativa das discussões, embora acredite ocupar "menos espaço" que seus colegas e antecessores. "Não sou tão nobre quanto o Jabor, por exemplo, e ainda falo bem menos que os outros componentes da bancada", diz.
Para Mainardi um programa como o "Manhattan" faz falta à TV aberta brasileira. "No Brasil faltam programas jornalísticos e acredito que haja público consumidor para atrações nesse formato. Acho incrível que não haja um programa de debates na TV aberta brasileira", completa.
Para comemorar os 15 anos, os apresentadores do programa gravam especial no Teatro Santa Cruz, nesta quarta-feira (12), em São Paulo. Eles receberão seus convidados na platéia e homenagearão antigos apresentadores.






