Acesso de cubanos à Internet ainda é restrito, dizem blogueiros da ilha
Acesso de cubanos à Internet ainda é restrito, dizem blogueiros da ilha
Apesar do presidente de Cuba, Raúl Castro, ter eliminado há um mês as proibições que impediam os cubanos de comprar computadores, telefones celular e de ficar hospedados em hotéis que antes eram destinados aos turistas, um rígido controle sobre o acesso à Internet ainda é mantido pelo governo do país.
No entanto, as restrições não impedem que milhares de pessoas explorem o ciberespaço. Muitos cubanos pagam cerca de US$ 40 mensais pelo acesso discado à Internet, que é oferecido pelo mercado negro; outros utilizam senhas de cubanos autorizados - como estrangeiros, funcionários públicos e acadêmicos - compradas por moradores da ilha ou rastreadas por piratas virtuais.
O resto da população pode utilizar uma rede que permite o envio e recebimento de e-mails internacionais. A navegação é bloqueada para outros sites e serviços. As filas são bastante longas mesmo para esse acesso, disponível em clubes, agências de correio e em alguns poucos cibercafés.
Alguns ainda escrevem em blogs sobre a vida na ilha de Cuba, como é o caso de Yoani Sanchez, autora do "Generacion Y", site com mais de um milhão de acessos por mês.
Quando quer postar seus textos, a blogueira se veste como uma turista e entra em hotéis de Havana, que oferecem acesso à web aos estrangeiros. O preço da conexão é de US$ 6 a hora - o valor e a possibilidade de ser pega não permitem que ela fique muito tempo conectada. O salário médio de um cubano é de US$ 20 mensais. "Cada passo que damos nessa direção torna mais difícil o governo nos censurar", afirmou Yoani, que acabou de ganhar um prêmio espanhol em jornalismo digital.
As autoridades não têm se empenhado muito para impedir a publicação do blog de Yoani. A página é hospedada em um servidor alemão e, muitas vezes, o governo cubano tenta bloqueá-la, mas o problema é resolvido em algumas horas. Ela diz ter tantos leitores em Cuba que muitas vezes é parada nas ruas por fãs.
O governo cubano também utiliza blogs como forma de apoio. "Raúl precisa de tempo", diz um post do Kaosenlared.net, hospedado na Espanha. "Estamos confiantes, calmos e unidos a favor do rumo da nossa revolução", escreveu Rogelio Sarforat, aparentemente de Cuba.
No entanto, Reynaldo Escobar, marido de Yoani e ex-jornalista da mídia oficial, diz que o governo paga diversas pessoas para colocar opiniões positivas na Internet. "Todos que mostram ser a favor são pagos, ou fazem isso porque alguém pediu", finaliza.
As informações são do G1.
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