Abraji critica decisão da Justiça que culpa fotógrafo por ser vítima de bala de borracha

Em nota divulgada nesta segunda-feira (8/9), a entidade afirma que a decisão "dá carta branca para que essa violência persista".

Atualizado em 08/09/2014 às 19:09, por Redação Portal IMPRENSA.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) divulgou nesta segunda-feira (8/9) uma nota de repúdio à decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo que condenou o fotojornalista Alex Silveira. A Justiça entendeu que o profissional é culpado por ter sido atingido por uma bala de borracha enquanto cobria um protesto na Avenida Paulista, em 200. O incidente o fez perder 80% da visão no olho esquerdo.
"Não apenas o desembargador transforma a vítima em culpado. Na sua justificativa, ele considera que todo jornalista que cumpra o seu dever profissional de informar assume um risco e está por sua própria conta, desamparado pela sociedade. Por essa lógica, não importa que o jornalista seja alvo de uma violência nesse processo", diz o texto, assinado pela diretoria da Abraji.
A entidade diz que espera que próximas instâncias no processo "desfaçam esse erro". "A decisão do Desembargador Abreu Amadei dá carta branca para que essa violência persista e, quiçá, se agrave, já que não é passível de punição. Trata-se, portanto, de uma ameaça à liberdade de imprensa", diz a nota.
A decisão da Justiça paulista afirma que Silveira é culpado pelo incidente, por ter colocado a si mesmo em perigo. "O autor colocou-se em quadro no qual se pode afirmar ser dele a culpa exclusiva do lamentável episódio do qual foi vítima", declarou o desembargador. O fotógrafo foi condenado ainda a pagar as despesas do processo e da verba honorária de 1.200 reais.
À IMPRENSA, Alex Silveira disse que "ficou sem chão" ao receber o resultado da sentença. "Se levarmos por essa lógica, o Santiago Silva foi culpado por ser atingido por um rojão na cabeça. Isso abre um precedente perigoso. Fico triste demais. Jogaram minha profissão no lixo. Não assumi um risco, eu estava trabalhando", afirmou.