Abraji condena ataques orquestrados contra jornalista após comentário no Twitter
Luiza Bodenmüller, do Aos Fatos, recebeu centenas de mensagens em tons preconceituosos, agressivos e misóginos na rede social
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) condenou a onda de ataques virtuais coordenados contra a jornalista Luiza Bodenmüller, no domingo (27). Após fazer uma crítica ao perfil da juíza indicada à Suprema Corte dos Estados Unidos, por meio de sua conta no Twitter, a profissional de imprensa foi surpreendida com centenas de comentários agressivos na rede social.
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Os ataques foram motivados porque Luiza Bodenmüller descreveu a juíza Amy Coney Barrett, indicada à Suprema Corte por Trump, como uma magistrada anti-aborto, pró-arma e conservadora, cujo perfil é de conhecimento geral e amplamente divulgado pela imprensa internacional.
No dia seguinte, mais de 750 comentários haviam sido publicados com informações pessoais da jornalista, como o cargo que ocupa na agência de checagem Aos Fatos e até mensagens em tons ameaçadores.
A dimensão dos ataques foi ampliada depois que a deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) e o deputado estadual Gil Diniz (PSL-SP) compartilharam em suas redes um post classificando a agência Aos Fatos como “esquerdagem dos fatos".
Apoiadores dos parlamentares comentaram com mensagens misóginas, vulgares e preconceituosas. Um usuário disse lamentar que a mãe da jornalista não tenha sofrido um aborto, e vários desejaram que a jornalista morresse.
“A Abraji considera inaceitável o assédio virtual, venha de onde vier, mas é ainda mais grave quando mandatários e outras autoridades reproduzem alegações difamatórias, que buscam fragilizar e intimidar jornalistas mulheres. Instamos, ainda, as plataformas digitais a oferecerem uma resposta mais eficaz a esse tipo de ataque”, publicou a entidade.
Monitoramento da Abraji revelou um aumento considerável em atitudes de assédio contra jornalistas no Brasil, especialmente contra as mulheres, o que motivou a assinatura de um , para prestar orientação jurídica às vítimas.





