Abraji apela para que YouTube republique vídeos removidos da Ponte Jornalismo

A Ponte Jornalismo teve dois vídeos retirados do ar pelo YouTube após publicar reportagens revelando que professores do curso preparatório para concursos AlfaCon falam sobre técnicas de tortura e execução a alunos que pretendem ingressar nas Polícias Militares.

Atualizado em 28/10/2019 às 17:10, por Redação Portal IMPRENSA.


Crédito:Reprodução

“Diante do evidente interesse jornalístico em torno dos casos expostos pela Ponte, a Abraji apela ao YouTube que republique os vídeos removidos e não puna o veículo de mídia. Um direito individual como o direito de autor não deve prevalecer sobre o direito coletivo de acesso a informações de interesse público. Do contrário, as liberdades de expressão e de imprensa ficam em risco”, diz a nota da Abraji.

A remoção ocorreu após a AlfaCon denunciar os vídeos à plataforma por violação de direitos autorais. Até a publicação das reportagens da Ponte, os vídeos continuavam no canal da AlfaCon, mas foram retirados do canal, em 26 de outubro, após a repercussão.

A Ponte Jornalismo corre o risco de ter seu canal suspenso e todos os seus outros vídeos removidos. De acordo com a política do YouTube, uma conta é encerrada se receber três avisos de violações de direitos autorais.

“Quando um proprietário de direitos autorais notifica formalmente o YouTube que [um usuário] não tem permissão para publicar o conteúdo dele no site, removemos o vídeo para cumprir a lei de direitos autorais”. O usuário cujo vídeo tenha sido removido pode recorrer e pedir a reavaliação da retirada do conteúdo.

“A AlfaCon foi a mesma empresa onde Eduardo Bolsonaro deu uma aula dizendo que bastaria um soldado e um cabo para fechar o STF. Por essa lógica, todos os veículos que publicaram vídeos com essa cena deveriam ser obrigados a tirar essas imagens do ar”, disse Fausto Salvadori Filho, um dos fundadores e repórter da Ponte, à Abraji.