ABI sai em defesa de jornalista processado por ex-policial do DOPS

ABI sai em defesa de jornalista processado por ex-policial do DOPS

Atualizado em 05/02/2010 às 11:02, por Redação Portal IMPRENSA.

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) divulgou nota em que apoia o jornalista Luiz Cláudio Cunha, autor do livro "Operação Condor: O Seqüestro dos Uruguaios", que está sendo processado por João Augusto da Rosa, ex-policial do DOPS.

Divulgação
Maurício Azêdo

Na obra, Cunha narra o seqüestro de Universindo Diaz, Lilian Celibeti e seus dois filhos em Porto Alegre, no ano de 1978. Na época o jornalista atuava como chefe da sucursal da revista Veja na capital gaúcha e recebeu um telefonema anônimo informando sobre o seqüestro. Ao chegar no local, confundido com amigos do casal de uruguaios, foi recebido por homens armados, entre eles Rosa - que usava o codinome Irno.

A descoberta dos jornalistas prejudicou o seqüestro, evitando que as vítimas fossem mortas. Apesar disso o casal foi torturado no Brasil e passou cinco anos em prisões militares no Uruguai.

Condenado em 1980, Cunha pede reparação por dano moral. Segundo ele, o autor não cita no livro a absolvição em segunda instância, por "falta de provas", três anos depois.

"A ABI entende que esta não é uma mera questão pessoal, mas uma tentativa de intimidação por parte de um ex-agente da repressão política da ditadura militar contra o jornalista que denunciou o sequestro dos uruguaios Lilian Celibeti e Universindo Diaz", diz a nota da entidade. "Trinta e dois anos depois de seqüestrar o casal, numa flagrante violação dos direitos humanos, este ex-agente do Dops pretende agora se valer da Justiça para calar Luiz Cláudio Cunha".

A entidade finaliza a nota, afirmando que "confia" no poder Judiciário do Rio Grande do Sul, "que sempre esteve ao lado da democracia e das liberdades civis".

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