ABI repudia declarações de juiz do Carandiru sobre a imprensa
Em nota divulgada na última quarta-feira (5/10), o presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Domingos Meirelles, condenou a insinuação do desembargador Ivan Satori, do Tribunal de Justiça de São paulo, de que a imprensa teria recebido dinheiro do crime organizado ao noticiar a anulação dos júris dos policiais acusados de participar do Massacre do Carandiru, em 1992.
Atualizado em 06/10/2016 às 15:10, por
Redação Portal IMPRENSA.
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Sartori, que votou pela anulação dos cinco júris do episódio e pediu a absolvição dos 74 policiais militares condenados pelos assassinatos de 77 dos 111 detentos encontrados mortos, provocou polêmica em sua página no Facebook após sugerir que parte da imprensa que acompanhou o julgamento pode ser financiada pelo crime organizado.
No post, o magistrado afirma que "diante da cobertura tendenciosa da imprensa sobre o caso Carandiru, fico me perguntando se não há dinheiro do crime organizado financiando parte dela, assim como boa parte das autodenominadas organizações de direitos humanos."
A ABI também manifestou "perplexidade" pela lentidão em apreciar a responsabilidade dos envolvidos no massacre. "Não se explica, nos dias de hoje, tamanha leniência em julgar os acusados", acrescenta, ao lembrar que em 1924, durante o levante da antiga Força Pública, foram ouvidas na capital paulista 2.217 pessoas de diferentes nacionalidades e instaurados 1.693 inquéritos no prazo de seis meses.
"O Ministério Público Militar acolheu o relatório policial e ofereceu a denuncia em pouco mais de quarenta dias. A ABI espera que o Tribunal de Justiça não eternize o julgamento dos acusados diante do sofrimento das famílias das vítimas", completa o texto, assinado por Meirelles.





