ABI pede proteção a repórter da Época e a youtuber Felipe Neto

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) encaminhou nesta terça, 17, carta a autoridades pedindo proteção ao jornalista João Paulo Saconi,que passou a ser alvo de ataques após assinar reportagem publicada no último dia 13 na revista Época sobre as sessões de coach oferecidas pela nora do presidente Jair Bolsonaro, Heloisa Bolsonaro.

Atualizado em 19/09/2019 às 09:09, por Redação Portal IMPRENSA.

(ABI) encaminhou nesta terça, 17, carta a autoridades pedindo proteção ao jornalista João Paulo Saconi, que passou a ser alvo de ataques após assinar reportagem publicada no último dia 13 na revista Época sobre as sessões de coach oferecidas pela nora do presidente Jair Bolsonaro, Heloisa Bolsonaro.

O pedido de proteção da ABI se estende ao influenciador digital Felipe Neto, que também passou a ser ameaçado nas redes sociais após distribuir gratuitamente livros com temática LGBT na Bienal do Rio, contrariando a ordem do prefeito da cidade de confiscar tais obras por alegada falta de invólucro que alertasse sobre o tipo de conteúdo.
Assinada pelo presidente da ABI, Paulo Jeronimo de Sousa, e pelo vice-presidente, Cid Benjamin, que também preside a Comissão de Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos, a carta foi encaminhada ao governador Wilson Witzel, ao presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Claudio de Mello Tavares, ao presidente da ALERJ, deputado André Luiz Ceciliano, e ao Procurador-Geral de Justiça, José Eduardo Ciotola Gussemn.
Para a diretoria da ABI as ameaças feitas ao repórter da Época e os ataques ao influenciador digital não podem passar impunes. “Isto é inaceitável, independentemente de eventuais críticas que possam ser feitas à matéria assinada por João Saconi e à ação de Felipe Neto”, diz a carta. A entidade ressalta que ameaças e incentivos à violência tornam-se ainda mais inaceitáveis quando desferidos de “forma covarde em redes sociais, onde nem sempre os autores são identificados de forma clara e transparente”. Crédito: Reprodução
Com apuração feita sem identificação do repórter, a matéria de Saconi sobre o trabalho da esposa de Eduardo Bolsonaro foi duramente atacada exatamente por se valer desse recurso jornalístico. Para os críticos não há interesse público na atuação profissional de Heloisa Bolsonaro que justifique a apresentação do repórter como cliente comum. Assim, afora a inadmissível onda de ataques e incentivos à violência, a reportagem teria gerado um debate válido sobre até que ponto é aceitável manter a identidade de jornalista oculta durante uma apuração.
Numa prova de quão polêmica é a discussão, nesta quarta, 18, após o Conselho Editorial do Grupo Globo se desculpar em nota pela reportagem, a diretora de redação, o redator-chefe e o editor da revista Época pediram demissão.