ABI encaminha ao MPF notícia-crime contra depoente da CPMI das fake news

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) encaminhou ao Ministério Público Federal (MPF) do Distrito Federal uma notícia-crime contra Hans River do Nascimento.

Atualizado em 19/02/2020 às 11:02, por Redação Portal Imprensa.

(ABI) encaminhou ao Ministério Público Federal (MPF) do Distrito Federal uma notícia-crime contra Hans River do Nascimento.
Durante as eleições de 2018, Nascimento era funcionário da empresa de disparo de mensagens em massa Yacows e foi uma das fontes da jornalista da Folha de São Paulo Patrícia Campos Mello para a reportagem "Empresários bancam campanha contra o PT pelo WhatsApp".
Durante depoimento à CPMI das Fake News, em 11 de fevereiro, Nascimento afirmou que a jornalista fez uma insinuação sexual para ele com o objetivo de obter informações.
No mesmo dia, a Folha publicou uma série de fatos mostrando que Nascimento mentiu à CPMI das Fake News e que a jornalista na verdade negou convites feitos por ele para um encontro presencial, restringindo o contato com essa fonte ao WhatsApp.
De acordo com a notícia-crime elaborada pela ABI, Nascimento “faltou com a verdade não apenas em relação a trabalhos realizados durante o período que atuou no disparo das mensagens, mas também mentiu sobre diversos aspectos que envolveram a apuração jornalística capitaneada pela repórter Patrícia Campos Mello, incluindo ofensas de cunho misógino e atentatórias à honra da citada profissional.”
Comportamento misógino

Baseado no falso depoimento de Nascimento, nesta terça (19) Jair Bolsonaro também ofendeu a jornalista da Folha de S.Paulo.
"Ela (a jornalista) queria um furo. Ela queria dar o furo a qualquer preço contra mim", disse Bolsonaro a um grupo de simpatizantes, rindo, na saída do Palácio da Alvorada.
Em nota assinada pelo presidente Paulo Jeronimo de Sousa, a ABI criticou Bolsonaro.
"Para vergonha dos brasileiros, que têm o mínimo de educação e civilidade, o presidente da República, Jair Bolsonaro, é ofensivo e agride, de forma covarde, a jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S.Paulo", ressalta a nota.
Para a ABI, o comportamento "misógino desmerece o cargo de presidente e afronta a Constituição".
"O que temos visto e ouvido, quase quotidianamente, não se trata de uma questão política ou ideológica. Cada dia mais, fica patente que o presidente precisa, urgentemente, de buscar um tratamento terapêutico", afirmou.