ABI denuncia TV Brasil por transmissão de culto com pronunciamento de Bolsonaro
A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) denunciou nesta terça-feira (15 de junho), ao Ministério Público Federal (MPF), o uso da TV Brasilpara divulgação pessoal do presidente Jair Bolsonaro e de evento religioso.
Atualizado em 16/06/2021 às 15:06, por
Redação Portal IMPRENSA.
A denúncia aponta que no dia 9 de junho a TV Brasil transmitiu, ao vivo, por mais de uma hora, o Culto Interdenominacional das Igrejas de Anápolis. O evento teve a participação de Jair Bolsonaro, do ministro da Educação, Mílton Ribeiro, do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni, e de outros membros do governo federal.
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Segundo a Agência Lupa, em seu pronunciamento durante o culto Bolsonaro mentiu sobre fraude em eleições e óbitos pela covid-19
Já a ABI observou que a transmissão do culto e a participação do presidente e de aliados afrontam a laicidade do estado brasileiro e atentam contra o artigo 37 da Constituição Federal, que proíbe a promoção pessoal. A ABI solicitou ao MPF que investigue o caso e impeça a ocorrência de casos semelhantes.
Os Dez Mandamentos
Recentemente a ABI entrou com ação na Justiça para que a Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) informe os motivos que fundamentaram a compra da novela bíblica “Os Dez Mandamentos”, produzida pela TV Record. A suspeita é a de que a suposta compra tenha sido uma forma de premiar Edir Macedo, dono da Record, pelo apoio ao governo Bolsonaro.
A solicitação foi para a apresentação de documentos e contratos sobre as diretrizes das tratativas e sua eventual celebração, e trazia cinco perguntas para certificar: se houve ou haveria a aquisição do folhetim e para saber quais os motivos que fundamentaram a negociação, se o fundamento bíblico da trama foi considerado tendo em vista a laicidade do Estado ou se o que foi considerado foi eventual proximidade político-ideológica do Presidente da República com a Record TV, e quais os valores, direitos e obrigações envolvidos nas tratativas.
Em outro episódio recente envolvendo a TV Brasil, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) denunciou atos de perseguição e censura no afastamento da jornalista Letycia Bond, repórter da Agência Brasil em São Paulo. A profissional foi afastada, na última quarta-feira (13), de suas funções na Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e transferida de forma compulsória para a produção da TV Brasil.
A profissional é especializada na área de Direitos Humanos, uma das editorias mais censuradas na EBC desde a posse de Jair Bolsonaro. Além disso, atua na articulação da Comissão de Empregados com os sindicatos representativos dos trabalhadores.





