A volta dos que não foram

Protestam contra o preço da passagem de ônibus, pelo fim da corrupção, pelo direito de se expressar nas ruas. Há quem aproveite para repudiar o tratamento dado à seca nordestina ou à forma como o presidente da Fifa se dirigiu aos brasileiros na abertura da Copa.

Atualizado em 02/07/2013 às 18:07, por Silvia Bessa.

passagem de ônibus, pelo fim da corrupção, pelo direito de se expressar nas ruas. Há quem aproveite para repudiar o tratamento dado à seca nordestina ou à forma como o presidente da Fifa se dirigiu aos brasileiros na abertura da Copa. Então, me dou o direito de apresentar no campo do jornalismo minha manifestação e desejo de ver um estudante mais preparado e disposto para entrar no mercado de trabalho.
A causa não é só minha, nem está em torno do meu umbigo. Sou repórter e, sendo assim, nem vaga de estagiários tenho a dispor. Creio ser uma bandeira coletiva. Estou vendo a hora em que colegas ganharão as ruas para defender a volta dos estudantes embevecidos pelos ideais de um jornalismo capaz de mudar o mundo. Animados, antenados com o ofício, menos preocupados com o fim do expediente. Daqueles estudantes que adoram comentar o noticiário, pensam em como encontrar uma chance de conversar com o editor e ganhar um espaço no dia seguinte.
Li um artigo recente da editora da Revista IMPRENSA, Thaís Naldoni, e vi que ela também protesta contra a falta de preparação dos estudantes. Escreveu indignada com freqüentes e absurdos erros de português, baseando-se em textos dos currículos que recebia. O português é um problema gravíssimo, pelo qual julgo que já valeria o movimento. Endosso Thaís e acrescento. Os problemas que mais me afligem são: a falta de disposição dos estudantes de jornalismo para botar a mão na massa e a indisposição de construir o básico na comunicação, as relações pessoais.
Se fosse expor uma carta numa mesa de negociação, levaria relatos que ouço sobre estudantes pleiteando vagas de estágio em redações. O de uma moça que começou um teste pela manhã e avisou que precisava interrompê-lo porque tinha marcado de almoçar com o namorado (esse eu presenciei). De outra que desistiu porque ao final de uma tarde não conseguiu propor uma pauta-perfil e não estava interessada em discutir com a editora as opções que ela apresentava. De uma terceira estudante que não admitia de maneira nenhuma receber críticas a seus textos. A jovem ficou tão indignada com a mudança das suas frases que foi berrar no corredor, inconformada com o suposto mundo injusto.
Aí achei que estava em um mundo fora do padrão. Comecei a observar uns que tinham passado pela peneira e sido contratados para ver como eles lidam com os colegas. Notei que um simples “bom dia” virou artigo raro. Veteranos puxam conversa, tentam entrosamento (disseram-me que a ideia era quebrar a suposta timidez ou temores diversos de iniciante), mas pelo menos três preferiram a surdez, numa postura quase arrogante. Ah, coitada da fonte, como será tratada? Pobre da notícia, como será dada? À luta: é hora de dizer basta. #elesnãovãonosrepresentar