A tatuagem e o mercado de trabalho / Por Caroline Grava e Raquel Stapait - IMES (SP)

A tatuagem e o mercado de trabalho / Por Caroline Grava e Raquel Stapait - IMES (SP)

Atualizado em 09/09/2005 às 12:09, por Caroline Grava e Raquel Stapait e  estudantes de jornalismo.

Por "Já perdi namorada, mas trabalho, nunca". É com essa afirmação que Luciano dos Santos, cinegrafista da Prefeitura de Santo André, comenta os padrões de admissão das empresas por qual passou. Luciano, que tem boa parte do corpo tatuado, diz que suas tatuagens não atrapalham em nada seu desempenho profissional e que não extrapolam o bom senso. Assim como ele, existem pessoas que não têm problemas em se apresentar ao mercado do jeito que se apresentam à sociedade. Mas nem sempre essa é a melhor escolha.

O auto-conflito é inevitável. Esconder as tatuagens, piercings, e por vezes, abandonar o estilo até então adotado para atender as normas da empresa. Alguns alegam serem vítimas de preconceito, quando na realidade o que ocorre é falta de bom senso ou acato a uma política empresarial.

Segundo o líder de equipe e responsável pelas contratações da empresa Telefutura, Roberto Pinto Weiss, a empresa tem uma imagem a zelar e quem a representa é o quadro de funcionários. Aqueles que lidam diretamente com o público, segundo Weiss, não devem ter nada que interfira em sua aparência natural. "Afinal, qual empresa quer associar sua imagem à piercing e tatuagem?", indaga.

Tudo indica que na hora de procurar um emprego, o profissional deve usar do bom senso. Isso é, adequar-se ao local de trabalho ou encontrar um emprego que vá ao encontro de seu estilo. Bom senso é fazer uso do lado lógico, sem julgamentos ou auto-crítica.

"Apesar de ter os piercings, eu não os deixo à mostra durante o trampo." alega Ricardo Assis Pelicioni, tecnólogo em desenvolvimento do produto na Firestone. Para ele, faz-se necessário se anular , tendo em troca a garantia de uma vaga na empresa. Ricardo, que usa roupas de brechó, diz que para se sentir à vontade, abre mão dos trajes sociais usados no escritório." No meu caso opto por coisas que não espantem as pessoas mas que me façam sentir à vontade da realização de minhas tarefas", completa

É inegável que o sentido mais aguçado no ser humano é a visão. Nada passa despercebido a olhos atentos, principalmente em se tratando de um profissional responsável pela contratação de funcionários. A princípio, só existe interesse ao que é bom aos olhos. Pare e pense: qual empregador terá "amor à primeira vista" pelo diferente? "Infelizmente ainda temos responsáveis pela seleção de pessoal, gerentes e colegas de trabalho que julgam uma pessoa por suas vestes ou pelo fato de possuírem um adorno ou marca em seu corpo, renunciando assim a opção de avaliar um candidato por seu perfil profissional, habilidades específicas ou histórico acadêmico", reflete Ricardo.