A SBPC e o jornalismo científico

A SBPC e o jornalismo científico

Atualizado em 17/07/2008 às 18:07, por Kátia Zanvettor.

A importância da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) fica evidente no tamanho e representatividade da sua reunião anual. Este ano, comemorando 60 anos de fundação, a entidade volta para Campinas onde aconteceu seu primeiro encontro, atraindo mais de 600 cientistas e também representantes da sociedade civil, políticos, jovens e crianças. O tema central em questão na 60° Reunião que acontece esta semana, de 13 a 18 de julho, no campus da Universidade Estadual de Campinas, girou em torno de três eixos: Energia-Ambiente-Tecnologia. Só este início já valeria uma pauta, e valeu em muitos jornais, mas se olharmos a programação com cuidado vamos notar que a maior parte das questões debatidas pelos cientistas está na ordem do dia da sociedade contemporânea e não podem passar despercebidas pelo jornalismo.

São questões sobre a biodiversidade e conservação, aquecimento global, inovação tecnológica, saúde pública, enfim, temas que pautam as redações diariamente. É por isso que em torno deste importante cenário também há espaço para uma questão de primeira ordem para o jornalismo: o trabalho de divulgação da ciência. Infelizmente os dados não são animadores, segundo pesquisa divulgada no Simpósio de Formação e Pesquisa em Jornalismo Científico, realizado nesta terça-feira na SBPC, as universidades que formam jornalistas não estão preparando seus alunos para atuar com divulgação científica. Segundo mapeamento realizado em 2005, pela pesquisadora Graça Caldas, também coordenadora do Simpósio, dos 304 cursos de jornalismo do Brasil na época apenas 31 tinham disciplinas em jornalismo científico, sendo 20 delas em universidades particulares.

Estes dados também divulgados no Jornal da Ciência da SBPC, n° 355 de 16 de julho de 2008, demonstram que os cursos de jornalismo pararam no tempo pelo menos no que diz respeito à compreensão da importância do trabalho de divulgação científica. O levantamento será atualizado, segundo a pesquisadora, mas a expectativa não é muito promissora a julgar pelas grades curriculares dos novos cursos que estão sendo criados no país. Estes dados, contudo, são um indicador significativo de outra questão importante que é o lugar a qual está reservada a própria compreensão de ciência nos cursos de jornalismo.

Infelizmente não é só a cobertura científica que está em segundo plano, o próprio fazer científico é visto como coisa de outro mundo, desnecessária para a formação e subjugada à tirania da técnica. Os próprios alunos chegam com uma visão deturpada do que é aprender jornalismo e são estimulados a continuar neste erro por ter que conviver com disciplinas extremamente tecnicistas que ignoram que a função da universidade é não só ensinar a técnica, mas principalmente problematizá-la. Esperamos que a SBPC e a própria Associação Brasileira de Jornalismo Científico (ABJC), criada exatamente para fomentar as discussões nesta área, possam estimular uma mudança breve neste cenário, mas também sabemos que a mudança concreta depende muito do esforço individual dos jornalistas em olhar para ciência como algo fundamental para a vida da nação e principalmente, para a sua formação.

Para ler mais sobre a SBPC, e leia este blog.