A responsabilidade da opinião na internet

A responsabilidade da opinião na internet

Atualizado em 06/05/2010 às 11:05, por Thaís Naldoni.

Trabalhar com internet é sinônimo de contato direto e imediato com o consumidor de notícias. Assim que a matéria é postada, imediatamente, os retornos são recebidos. Seja porque a informação interessa, seja pela polêmica de alguma notícia, seja por erros de revisão que, às vezes, passam, seja por opiniões diversas ao assunto em questão.
A web aproximou, de forma definitiva, jornalista e leitor. O que antes era uma relação passiva - de recepção de mensagem - hoje é uma verdadeira troca de informações. O leitor complementa matérias, ajuda a corrigir algum equívoco, dissemina a informação. É personagem ativo no que é publicado.
No entanto, ainda há um gargalo nesse relacionamento. A maior parte dos sites oferece espaços para que o leitor possa comentar a notícia. Em alguns casos, tais comentários são moderados antes mesmo de irem ao ar. Em outros, o internauta publica imediatamente sua opinião sobre o tema proposto na pauta - como acontece aqui no Portal IMPRENSA - e isso pode gerar problemas e constrangimentos, porque há quem se esqueça que a liberdade de expressão deve respeitar alguns princípios.
É muito comum, em caso de notícias polêmicas, que o internauta se mostre enfurecido em seu comentário, e que perca a compostura em situações em que outro internauta diverge de suas opiniões. O que serviria para esquentar um debate de ideias, torna-se uma fábrica de ofensas. E, no final, quem responde por isso? Imagino que você tenha pensado: "quem escreveu". Não. Quem responde pelo conteúdo mantido no ar, é o site, não quem escreve o comentário.
Dou como exemplo dois casos emblemáticos que aconteceram aqui no Portal IMPRENSA. O comentário de Boris Casoy sobre os garis tem gerado diversas ações contra a Band e o jornalista. Óbvio que acompanhamos o desenrolar dos processos e, a cada nota sobre o tema, jorram avalanches de comentários que podem gerar algum tipo de dano judicial. Uma coisa é o internauta achar "uma vergonha" a atitude do jornalista e explicar os motivos; outra é usar de adjetivos pouco singelos para mostrar sua contrariedade.
Outra matéria recente que também causou polêmicas, foi que a falava sobre as críticas da autora Glória Peres ao apresentador Carlos Massa, o Ratinho, por ele ter entrevistado o ex-ator Guilherme de Pádua, condenado pelo assassinato da atriz Daniella Peres. Muitos defenderam Glória, outros, o direito de Ratinho fazer a entrevista e alguns, o direito de Pádua retomar sua vida, após sair da prisão. Imaginem o número de comentários e o teor de alguns deles?
Como expliquei acima, cada empresa, administrador de sites usa uma política para evitar processos em razão dos comentários mais acalorados. No Portal, o procedimento é o de substituir a palavra "feia" por asteriscos e colocar uma observação no final do texto, explicando que o comentário foi "editado" por conter palavras ofensivas ou de baixo calão. Há sites que nem mesmo publicam as mensagens.
Por essa razão, já me deparei com leitores bem bravos porque aquela palavrinha foi "estrelada", dizendo que aquilo seria censura, porque estaríamos impedindo que eles se manifestassem livremente. Mas, garanto que não é. Por definição, censura se configura como "o exame de obras, livros, textos artísticos ou jornalísticos antes de sua publicação; repreensão".
A liberdade de expressão sempre é respeitada e desejada (as notícias ganham - e muito - com a palavra do leitor), mas é importante que o internauta saiba da responsabilidade daquilo que é escrito.
Acredito firmemente que o exercício da livre opinião na web - onde existe a impressão de território livre para todo e qualquer tipo de contravenção, inclusive as de cunho moral - deva seguir os mesmos parâmetros de bom senso usados fora do ambiente digital. Civilidade é a palavra para que haja uma boa vida em rede, em sociedade, seja ela real ou virtual.