"A questão agora é de escala", diz Gustavo Faleiros sobre uso de dados no jornalismo

Coordenador do projeto Infoamazonia ministra Oficina IMPRENSA de Jornalismo de Dados no próximo sábado (11/4), em São Paulo (SP).

Atualizado em 10/04/2015 às 14:04, por Lucas Carvalho*.

A revolução das mídias digitais não trouxe apenas crise às redações impressas. Com o avanço das novas tecnologias, jornalistas têm hoje acesso a uma infinidade de bancos de dados públicos que podem ajudar a enriquecer uma reportagem ou mesmo servir de inspiração para novas pautas. É sobre o manuseio dessas ferramentas que trata a Oficina IMPRENSA de , que acontece no próximo sábado (11/4), em São Paulo (SP).
Crédito:Divulgação Gustavo Faleiros ministra Oficina de Jornalismo de Dados
“Não é mais uma novidade. Hoje nãs temos acesso a uma grande quantidade de repositórios de dados na internet. A questão agora é de escala”, explica o jornalista Gustavo Faleiros, que ministra a Oficina. Com passagem pelas redações do Valor Econômico e Folha de S.Paulo , hoje ele é coordenador do projeto .
Segundo o jornalista, dados públicos sempre estiveram à disposição de profissionais em busca de novas pautas. A diferença é que hoje a diversidade e a quantidade desses dados – disponíveis na íntegra na internet – é o que gera o verdadeiro desafio. “Antigamente você recebia o relatório, ia em uma coletiva de imprensa, e pegava a mensagem principal. Hoje você tem acesso ao repositório completo.”
“Você pode tratar a sua reportagem em uma escala maior. Não só com dados específicos sobre determinado assunto, mas também pode fazer comparações. Isso transforma a própria linguagem da reportagem”, continua Faleiros. Para o jornalista, o trabalho de apuração e de questionamento de informações continua o mesmo, seja lidando com números, frios e imparciais, ou com fontes “humanas”.
Pensando nisso, Faleiros ainda acredita que um profissional “de verdade” é necessário na interpretação de dados. Mesmo que especialistas apontem que, no futuro, ao menos dois terços das matérias jornalísticas serão escritas por robôs, o uso desses algoritmos tende a permanecer restrito ao hard news cotidiano.
“Choveu em tal área, subiu tal índice… esses algoritmos são úteis para coisas mais triviais, alertas, etc. Mas, nesse momento de discussão de homens versus robôs, o que se vê, ironicamente, é que muita coisa de qualidade tem surgido. O jornalista voltou a ir a campo e fazer grandes reportagens”, diz o jornalista.
Por fim, Faleiros indica por que participar da Oficina IMPRENSA de Jornalismo de Dados: “Tem apenas uma linha. É para qualquer jornalista, de qualquer idade, que queira inovar na linguagem e na forma que se faz jornalismo”.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves