“A propaganda apenas reflete a sociedade”, afirma diretor de criação da agência NBS

Último painel do Fórum discutiu os limites na criação publicitária

Atualizado em 06/05/2015 às 15:05, por Gabriela Ferigato.

Durante o painel de encerramento do 7º Fórum Liberdade de Imprensa & Democracia, realizado por IMPRENSA na última segunda-feira (4/5), Carlos André Eyer, diretor nacional de criação da NBS, Edney G. Narchi, vice-presidente do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) e Mônica Spada e Sousa, diretora executiva da Maurício de Sousa Produções, discutiram os limites na criação publicitária: liberdade de consumo vs. Controle e regulamentação. Crédito:Robson Cesco Painel debateu os limites na criação publicitária Eyer ressaltou que a propaganda apenas reflete a sociedade. No passado, por exemplo, propagandas de cigarro ou bebês tomando refrigerante eram inseridas sem críticas. Hoje, por inúmeras razões, esses comerciais não iriam para o ar. Segundo ele, as pessoas estão mais policiadas.
“A moral da história é a seguinte: está na mão do consumidor a regulamentação desta área. Quando a gente abre canais de regulamentação, se algo te incomodar, você pode recorrer aos órgãos. Se uma pessoa fizer a queixa, a propaganda pode ser tirada do ar”, completa.
Fundado em 1985 no Brasil, Narchi ressalta que o Conar teve que tomar atitudes severas junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para preservar o espaço de liberdade de manifestação quanto à propaganda de medicamentos e alimentos, por exemplo.
“A resolução do Conanda [Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente] pretende destruir a propaganda voltada para crianças e adolescentes. É tão absurdo que um órgão queira legislar - quando foi definido pelo Poder Judiciário Brasileiro que os órgãos não têm esse poder. Quem faz isso é o Poder Legislativo”, disse Narchi.
De acordo com o vice-presidente da entidade, o direito de ser informado é um dos direitos básicos do Código do Consumidor. “A liberdade de expressão vale não apenas para quem emite, mas especialmente para quem vai receber a informação”, completa Narchi.
Seguindo essa linha, Mônica Spada e Sousa lembra que na época em que seu pai, Mauricio de Sousa, criou os personagens da Turma da Mônica – em 1959 - não existia muito o politicamente correto.
“Ele sempre tratou seus personagens como crianças e elas não são politicamente corretas. Estão tentando deixar as crianças alienadas. Impedindo-as de ver propaganda. Elas não serão protegidas e têm direito à informação. O adulto tem que fornecer conceitos de ética e moral, mas não tem o direito de julgar a inteligência das crianças”, opinou.
Para Eyer, a grande questão do excesso de regulamentação é tapar o sol com a peneira. “O risco é achar que está tomando uma atitude efetiva. Fiz propaganda para crianças por muito tempo, não vou fazer algo que atinja meu filho. Depois se estabeleceu que as propagandas deveriam ser voltadas para a mãe e não para a criança. Parece que está resolvendo, mas está mascarando”, finalizou.
ESPECIAL
Além da cobertura do 7º Fórum Liberdade de Imprensa & Democracia, IMPRENSA produziu um hotsite especial, com temas correlatos e conteúdo exclusivo. Para acessar, .