À procura de um papel
À procura de um papel
Atualizado em 08/06/2010 às 12:06, por
Os editores.
À medida que a participação brasileira ganha musculatura na geopolítica contemporânea - e aqui falamos mais da espontânea inclusão do Brasil no redesenho global e menos de eventuais e improváveis prognósticos, frutos da mais criativa especulação - perguntamo-nos, afinal, que papel estaria reservado a nós no novo Mapa Mundi das relações políticas, econômicas e simbólicas.
Diante da tentativa de acordo liderada pelo presidente Lula no Irã, no mês passado, somada a um reconhecimento quase unânime de que o século XXI não poderá prescindir de nosso protagonismo, há que se perguntar o quão seria possível incluir na agenda do futuro alguma contribuição brasileira nas áreas do jornalismo e da comunicação.
O debate não poderia ser mais apropriado: enquanto os países consolidados financeira e politicamente testemunham a falência dos seus veículos de comunicação, em xeque tanto por parte do público quanto do mercado publicitário, o Brasil segue com fôlego e enfrenta as dificuldades que lhe são impostas pela conjuntura econômica, pela fragilidade institucional ou pelos novos cenários tecnológicos. Nesta edição de IMPRENSA, o assunto não está evidente, mas permeia várias das nossas reportagens, a começar pela capa com Maurício de Sousa, verdadeiro ícone da nossa cultura de massas e notável comunicador que vem projetando a ilustração e a história em quadrinhos brasileiras para além das nossas fronteiras.
A reportagem sobre a cobertura ambiental e a preparação da Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável da ONU, a ser realizada em 2012 no Rio de Janeiro, 20 anos depois da ECO-92, também questiona a função do país não mais e apenas como pauta, mas sobretudo como agente de debates acerca do ambiente e da sustentabilidade.
Além disso, há ainda uma reportagem especial sobre a Copa do Mundo, apontando as transformações testemunhadas pela África do Sul em sua preparação como anfitriã do campeonato, bem como a participação da mídia brasileira na cobertura jornalística do evento. Daqui a quatro anos, será o Brasil a ocupar semelhante posto de visibilidade, com os ônus e bônus que isso evidentemente nos deixará como legado.
E, por último, uma provocação desembarca de Pequim: aos chineses e à mídia do Império do Meio, o Brasil é um parceiro estratégico na consolidação de um projeto que rompa com os fluxos de comunicação já caducos e desgastados pelo tempo, nos quais a hegemonia jornalística era dada aos Estados Unidos e países europeus.
Estamos preparados?






