“A pauta de direitos humanos é essencial para a democracia”, defendem integrantes da Ponte
Com a concorrência dos mais diversos assuntos por espaço no noticiário, nem sempre as pautas de direitos humanos têm conseguido o destaque necessário.
Atualizado em 27/06/2014 às 17:06, por
Danubia Paraizo.
Recém-lançado na internet, o projeto tem objetivo de dar voz aos assuntos, muitas vezes, esquecidos pela grande mídia, como explicaram os jornalistas Bruno Paes Manso e Claudia Belfort, integrantes do novo portal. Durante o "IMPRENSA na TV" desta sexta-feira (27/7), os repórteres falaram sobre os desafios da empreitada, como as pautas são escolhidas e produzidas, bem como a forma de financiamento do projeto.
Crédito:Reprodução Bruno Paes Manso atualiza o blog SP no Divã, no Estadão.com “Esta é uma tentativa de a gente cobrir essa área que está mal coberta pela grande mídia. A pauta de direitos humanos é essencial para o fortalecimento da democracia”, defendeu Manso. Para Claudia, além de retomar um assunto tão importante, esta também é uma oportunidade de voltar a fazer reportagens. Ela, que desempenhou cargos de chefia em grandes veículos, como o jornal O Estado de S.Paulo , se vê animada com a expectativa de voltar às ruas.
“Acho que a formação de coletivos temáticos também é uma saída para a nossa profissão, que está ameaçada financeiramente”, explicou. Para a profissional, o importante é manter elevados os critérios jornalísticos de uma boa apuração, mas não necessariamente publicar a notícia em veículos tradicionais.
Com reportagens em texto e vídeo produzidos diariamente, o novo canal conta com a colaboração de nomes como Milton Belitani, André Caramante, Laura Capriglione, Natalia Viana, entre outros. Neste primeiro momento, o portal tem apoio financeiro da Agência Pública de jornalismo investigativo, mas já estão sendo estudadas soluções para o projeto se sustente de forma totalmente independente.
Desafios da pauta
“Em uma sociedade como o Brasil temos muitos desvios, a gente vai dar voz a quem precisa revelar informações para corrigir esses desvios”, explicou Manso, que mantém o blog SP no Divã, que trata de temas ligados aos direitos humanos e segurança pública no Estadão.com. Para o jornalista, o projeto é uma forma da sociedade refletir sobre os seus conflitos diários, algo que nem sempre as pessoas se interessam em conhecer a fundo.
Crédito:Reprodução Claudia Belfort defende que o projeto esteja apenas no online “Falar da lotação do sistema prisional, por exemplo, é complicado. As pessoas não querem ler e nosso papel como jornalista é esse também. O de mostrar o que não querem ver, falar de temas que não são populares. É uma de nossas bandeiras mostrar assuntos deixados nas sombras”.
Se por um lado ainda há a resistência de alguns com os assuntos abordados pela Ponte, há também o interesse de muitos leitores, que têm colaborado desde o início do projeto com sugestões de pauta. Questionada sobre a possibilidade de a iniciativa migrar para o papel, Claudia explicou que os meios digitais oferecem mais oportunidades.
“Acho que não deveríamos postar em papel. É algo que está sumindo no consumo de informação. E isso é caro, tem o custo do papel, da tinta, da distribuição, não faz mais sentido, já que pelos meios digitais você atinge um público cada vez maior”, finalizou.





