"A opressão não tolera a imprensa livre", diz Cármen Lúcia, no Fórum Liberdade
Na manhã desta segunda-feira (4/5), começou o 7º Fórum Liberdade de Imprensa & Democracia, realizado por IMPRENSA, no Museu da Imprensa Nacional, em Brasília (DF).
Atualizado em 04/05/2015 às 13:05, por
Vanessa Gonçalves, subeditora de Portal e enviada a Brasília (DF).
(4/5), começou o 7º Fórum Liberdade de Imprensa & Democracia, realizado por IMPRENSA, no Museu da Imprensa Nacional, em Brasília (DF). A conferência de abertura "A Liberdade de imprensa brasileira no contexto da América Latina" contou com a presença da ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, e do diretor-geral da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), Américo Martins.
Para dar início às atividades, Sinval de Itacarambi Leão, diretor de IMPRENSA Editorial, fez um discurso relembrando o impacto do aumento de 82% dos crimes de ódio no rescaldo nas últimas eleições presidenciais, da morte dos chargistas do Charlie Hebdo após um atentado terrorista e dos jornalistas decapitados pelo Estado Islâmico. "É dever dos comunicadores defender a liberdade de imprensa e comunicação", ressaltou. Ele ainda lembrou da fala de Ayres Britto na última edição: “A liberdade de imprensa é irmã siamesa da democracia”.
Conferência de abertura
Américo Martins ressaltou a importância da pluralidade das formas de levar a informação por meio de empresas públicas e estatais, destacando a ação da EBC e todas as emissoras públicas.
A ministra começou dizendo que sua fala traria o enfoque jurídico sobre a liberdade de expressão, tanto como ministra, mas também como uma cidadã preocupada com o tema.
Citando a poetisa Cecília Meirelles, disse: “Ai, palavras, ai palavras, que estranha potência a vossa! Ai, palavras, ai palavras, sois o vento, ides no vento, e, em tão rápida existência, tudo se forma e transforma”, questionou o motivo pelo qual as pessoas temem tanto a palavra, tornando necessário lutar ainda para que ela seja livre.
Crédito:Robson Cesco Ministra do STF Cármen Lúcia e Américo Matins, da EBC, fazem a abertura do evento
Para Cármen Lúcia, que pensou em ser jornalista e que atuou como advogada do sindicato da categoria em Minas Gerais no início da década de 1980, “repete-se desde sempre que não há democracia sem imprensa livre e não há imprensa livre sem democracia . Mas a opressão não tolera a imprensa livre”.
Na visão dela, quanto mais democrática é uma sociedade, maior também é a busca pela justiça”. É por essa razão que na Indonésia seja justo fuzilar um preso e em outra sociedade não seja. Dessa forma, ela defende que o senso de justiça está sempre em aberto e precisa ser sempre discutido para atender às necessidades de um povo. “Precisamos de uma imprensa livre para noticiar, analisar e discutir essas mudanças do senso de justiça. Ela é importante para fortalecer a democracia”.
Parafraseando Ruy Barbosa, que afirmava que não haver democracia sem imprensa livre, a ministra diz que este é um pensamento lógico e que a imprensa tem o papel de informar os cidadãos sobre essa mutabilidade . “Cada Estado soberano discute o que é melhor dentro do que é sua visão de mundo e o que se põe como direito para ele. Todas as constituições defendem a imprensa livre, mas isso depende do que cada governo vê como imprensa livre”.
Apesar de notar que há muitos desafios para a imprensa no Brasil atual, Cármen Lúcia diz ser otimista com o futuro. “Tenho o incorrigível defeito de ser otimista. Não acho que o mundo está acabando. Sei que jornalistas na América Latina estão morrendo por exercer sua profissão. Sei que as lutas não são de agora e que, embora todas as constituições da região defendam a liberdade de imprensa, por manobras, acabam indo contra isso”, disse.
Lembrando novamente Ruy Barbosa, que há 101 anos já defendia a imprensa livre, ela vê que “continuamos nessa luta porque a sociedade muda, mas a necessidade de ter acesso à informação não”. “Todas as formas de opressão são como ervas daninhas, evitando que a liberdade floresça diariamente”.
Em razão disso, a jurista acredita que os jornais precisam se reinventar para voltar a formar a opinião do leitor, tanto quanto as redes sociais fazem hoje. “Para construir uma sociedade justa e saudável, é essencial uma imprensa livre, apesar dos desafios de ter de conviver com as redes sociais, onde todos são comunicadores. É um desafio à imprensa superar isso. Não é fácil defender a imprensa livre permanentemente, mas sem ela não teríamos uma democracia”.
A ministra concluiu sua fala retomando Cecília Meireles. “Nunca me verão de braços cruzados. Sempre lutarei pela imprensa livre”.
Por fim, questionada por Américo Martins sobre a regulação econômica da mídia, Cármen Lúcia mostrou-se contrária à medida. “A imprensa sabe perfeitamente como atuar. Dos excessos se encarregam as leis que já existem. Quanto menor a interferência, maior a liberdade. Quanto mais liberdade de imprensa, maior a pluralidade de vozes”.
Especial
Além da cobertura do 7º Fórum Liberdade de Imprensa & Democracia, IMPRENSA produziu um hotsite especial, com temas correlatos e conteúdo exclusivo. Para acessar, .
Para dar início às atividades, Sinval de Itacarambi Leão, diretor de IMPRENSA Editorial, fez um discurso relembrando o impacto do aumento de 82% dos crimes de ódio no rescaldo nas últimas eleições presidenciais, da morte dos chargistas do Charlie Hebdo após um atentado terrorista e dos jornalistas decapitados pelo Estado Islâmico. "É dever dos comunicadores defender a liberdade de imprensa e comunicação", ressaltou. Ele ainda lembrou da fala de Ayres Britto na última edição: “A liberdade de imprensa é irmã siamesa da democracia”.
Conferência de abertura
Américo Martins ressaltou a importância da pluralidade das formas de levar a informação por meio de empresas públicas e estatais, destacando a ação da EBC e todas as emissoras públicas.
A ministra começou dizendo que sua fala traria o enfoque jurídico sobre a liberdade de expressão, tanto como ministra, mas também como uma cidadã preocupada com o tema.
Citando a poetisa Cecília Meirelles, disse: “Ai, palavras, ai palavras, que estranha potência a vossa! Ai, palavras, ai palavras, sois o vento, ides no vento, e, em tão rápida existência, tudo se forma e transforma”, questionou o motivo pelo qual as pessoas temem tanto a palavra, tornando necessário lutar ainda para que ela seja livre.
Crédito:Robson Cesco Ministra do STF Cármen Lúcia e Américo Matins, da EBC, fazem a abertura do evento
Para Cármen Lúcia, que pensou em ser jornalista e que atuou como advogada do sindicato da categoria em Minas Gerais no início da década de 1980, “repete-se desde sempre que não há democracia sem imprensa livre e não há imprensa livre sem democracia . Mas a opressão não tolera a imprensa livre”.
Na visão dela, quanto mais democrática é uma sociedade, maior também é a busca pela justiça”. É por essa razão que na Indonésia seja justo fuzilar um preso e em outra sociedade não seja. Dessa forma, ela defende que o senso de justiça está sempre em aberto e precisa ser sempre discutido para atender às necessidades de um povo. “Precisamos de uma imprensa livre para noticiar, analisar e discutir essas mudanças do senso de justiça. Ela é importante para fortalecer a democracia”.
Parafraseando Ruy Barbosa, que afirmava que não haver democracia sem imprensa livre, a ministra diz que este é um pensamento lógico e que a imprensa tem o papel de informar os cidadãos sobre essa mutabilidade . “Cada Estado soberano discute o que é melhor dentro do que é sua visão de mundo e o que se põe como direito para ele. Todas as constituições defendem a imprensa livre, mas isso depende do que cada governo vê como imprensa livre”.
Apesar de notar que há muitos desafios para a imprensa no Brasil atual, Cármen Lúcia diz ser otimista com o futuro. “Tenho o incorrigível defeito de ser otimista. Não acho que o mundo está acabando. Sei que jornalistas na América Latina estão morrendo por exercer sua profissão. Sei que as lutas não são de agora e que, embora todas as constituições da região defendam a liberdade de imprensa, por manobras, acabam indo contra isso”, disse.
Lembrando novamente Ruy Barbosa, que há 101 anos já defendia a imprensa livre, ela vê que “continuamos nessa luta porque a sociedade muda, mas a necessidade de ter acesso à informação não”. “Todas as formas de opressão são como ervas daninhas, evitando que a liberdade floresça diariamente”.
Em razão disso, a jurista acredita que os jornais precisam se reinventar para voltar a formar a opinião do leitor, tanto quanto as redes sociais fazem hoje. “Para construir uma sociedade justa e saudável, é essencial uma imprensa livre, apesar dos desafios de ter de conviver com as redes sociais, onde todos são comunicadores. É um desafio à imprensa superar isso. Não é fácil defender a imprensa livre permanentemente, mas sem ela não teríamos uma democracia”.
A ministra concluiu sua fala retomando Cecília Meireles. “Nunca me verão de braços cruzados. Sempre lutarei pela imprensa livre”.
Por fim, questionada por Américo Martins sobre a regulação econômica da mídia, Cármen Lúcia mostrou-se contrária à medida. “A imprensa sabe perfeitamente como atuar. Dos excessos se encarregam as leis que já existem. Quanto menor a interferência, maior a liberdade. Quanto mais liberdade de imprensa, maior a pluralidade de vozes”.
Especial
Além da cobertura do 7º Fórum Liberdade de Imprensa & Democracia, IMPRENSA produziu um hotsite especial, com temas correlatos e conteúdo exclusivo. Para acessar, .






