A onda do "ficar" também na comunicação corporativa

A onda do "ficar" também na comunicação corporativa

Atualizado em 03/12/2010 às 16:12, por Lucia Faria.

Parece que algumas empresas não querem mais casar, nem mesmo namorar seriamente. Muita gente está na onda do relacionamento frugal, apenas para saciar necessidades básicas e imediatas. Escrevo isso com base no volume de consultas recebidas nos últimos meses, mais precisamente após a Copa do Mundo. É como se todos soubessem da importância do trabalho de comunicação, mas só o enxergasse neste momento como um remédio para curar dor de cabeça. Afinal, tivemos eleições, depois final de ano, vem aí férias, Carnaval e assim chegaremos a março de 2011.
Quando dizemos não à proposta de um job a pessoa fica chateada. Dá para sentir isso na voz pelo telefone. Afinal, ela gosta da gente, sabe das competências, mas não entende as nossas imensas dificuldades para alcançar resultados em ações tão passageiras. E o "não" tem vários motivos: falta de equipe ociosa em tempos enxutos, falta de disposição do cliente em colocar a mão no bolso, nosso descrédito em alcançar retorno em curto prazo, entre tantos outros. Já a promessa do outro lado é, invariavelmente, a mesma: acredita em mim porque iremos crescer juntos.
O problema é a recusa pode transparecer uma imagem de arrogância de nossa parte, o que é ruim. Então você fica na chamada sinuca de bico. Como não sou Rui Chapéu, geralmente me dou mal nessas situações. Recentemente assisti um debate com um publicitário bem conhecido que foi taxativo: sua agência de propaganda, uma das maiores do País, não aceita job. Deve ser mais fácil para ele, que fatura milhões, dizer não. Para a gente, que é pequenino e cheio de amor para dar, fica complicado recusar apelos sedutores. Afinal, sempre resta a esperança de um dia aquele "ficante" se apaixonar por nós.