“A notícia não pode ser tão perecível”, diz Augusto Nunes sobre imediatismo da internet
Em meio às constantes discussões sobre o futuro do jornalismo impresso diante da concorrência com os meios digitais, o jornalista Augusto Nunes, apresentador “Roda Viva”, na TV Cultura, saiu em defesa das mídias tradicionais e das grandes reportagens.
Atualizado em 29/04/2014 às 15:04, por
Danúbia Paraizo.
“Os jornais estão abandonando a reportagem de longo curso. Além da redução de gastos, tem essa maluquice que você tem que dar a notícia em tempo real e com a velocidade da internet, o que é uma bobagem”.
Crédito:Alexandre Schneider Augusto Nunes é apresentador do "Roda Viva" e colunista da revista "Veja" Conhecido por sua trajetória no impresso, onde foi diretor de jornalismo de Veja, Época, Zero Hora e O Estado de S. Paulo , Nunes disse à IMPRENSA que sente falta das grandes reportagens não só nos jornais e revistas, mas também na internet. “A entrevista, o perfil, a reportagem são coisas imortais. Você apenas muda a ferramenta. É uma ilusão dizer que o leitor da internet lê pouco”.
Para o jornalista, o imediatismo da web acaba deixando os portais sem critérios, já que noticiam de tudo. E pior: deixam o leitor com a falsa sensação de estarem informados. “Os portais dão uma notícia pela manhã, mas às 17h ela não tem mais importância. Se você não acompanhou o noticiário, você não sabe o que foi manchete de manhã. A notícia não pode ser tão perecível. Os sites deveriam selecionar melhor os assuntos e hierarquizá-los”.
Extinção dos jornais Ao contrário do que preveem alguns críticos apocalípticos, para Nunes, sempre haverá espaço para os impressos. Falta apenas que os jornais e revistas se adaptem melhor à internet. “Por que os impressos vivem essa crise? Eu, por exemplo, leio a Folha na véspera. O noticiário é igual ao que sai no UOL. A culpa é do jornal. A internet já está analisando os fatos, os impressos têm que sair com muito mais”, justifica.
Outro ponto a ser melhorado nos impressos, segundo o jornalista, é a qualidade do texto das reportagens, o que tem levado o leitor a optar pelos colunistas em detrimento das reportagens. “O texto é um negócio terrível, ruim de ler. Não tem nenhum charme, é tudo muito apressado, isso em todas as editorias”.
Crédito:Alexandre Schneider Augusto Nunes é apresentador do "Roda Viva" e colunista da revista "Veja" Conhecido por sua trajetória no impresso, onde foi diretor de jornalismo de Veja, Época, Zero Hora e O Estado de S. Paulo , Nunes disse à IMPRENSA que sente falta das grandes reportagens não só nos jornais e revistas, mas também na internet. “A entrevista, o perfil, a reportagem são coisas imortais. Você apenas muda a ferramenta. É uma ilusão dizer que o leitor da internet lê pouco”.
Para o jornalista, o imediatismo da web acaba deixando os portais sem critérios, já que noticiam de tudo. E pior: deixam o leitor com a falsa sensação de estarem informados. “Os portais dão uma notícia pela manhã, mas às 17h ela não tem mais importância. Se você não acompanhou o noticiário, você não sabe o que foi manchete de manhã. A notícia não pode ser tão perecível. Os sites deveriam selecionar melhor os assuntos e hierarquizá-los”.
Extinção dos jornais Ao contrário do que preveem alguns críticos apocalípticos, para Nunes, sempre haverá espaço para os impressos. Falta apenas que os jornais e revistas se adaptem melhor à internet. “Por que os impressos vivem essa crise? Eu, por exemplo, leio a Folha na véspera. O noticiário é igual ao que sai no UOL. A culpa é do jornal. A internet já está analisando os fatos, os impressos têm que sair com muito mais”, justifica.
Outro ponto a ser melhorado nos impressos, segundo o jornalista, é a qualidade do texto das reportagens, o que tem levado o leitor a optar pelos colunistas em detrimento das reportagens. “O texto é um negócio terrível, ruim de ler. Não tem nenhum charme, é tudo muito apressado, isso em todas as editorias”.





