A noite do Jabuti
Desde 1958 a Câmara Brasileira do Livro (CBL) vem analisando a produção editorial do nosso país, com a finalidade de premiar os melhores liv
Atualizado em 06/01/2014 às 15:01, por
José Marques de Melo.
Crédito:Leo Garbin ros publicados, incentivar autores, editores e divulgadores.
Inicialmente, os parâmetros para inclusão das obras inscritas e os critérios para o seu julgamento pautavam-se pela tradição literária, deixando de lado as publicações de natureza científica. Aos poucos o regulamento se tornou flexível.
Em consequência, os editores e os autores dos livros publicados nas áreas de jornalismo, publicidade, cinema, relações públicas, rádio, televisão, internet etc. foram contemplados no certame, podendo fazer jus ao troféu Jabuti.
A escolha de tal signo tem raízes nacionalistas, precedendo, portanto, o ambiente sombrio instaurado pelo golpe militar de 1964. Por que jabuti e não outros animais pertencentes à fauna brasileira que estão mais bem situados no imaginário popular?
Sua escolha, em verdade, configura um paradoxo. Suscita perplexidades, quando confrontado pelos exegetas da mitologia verde-amarela. Para os colonizadores portugueses, o jabuti não passava de uma espécie de cágado, débil e silencioso. Mas as tribos tupi-guarani viam esse pequeno animal, de pernas curtas e vagaroso, como portador de atributos mágicos.
Astucioso, polêmico, bem-humorado, embutia o temperamento do escritor. Tem casca grossa, protegendo-se das adversidades, sem deixar de se divertir, ironizar, tirar um sarro... Foi dessa maneira que o certame se legitimou. E começou a ser disputado pelos intelectuais que habitam o espaço beltraniano. Em outras palavras, o campo da comunicação estava vivenciando seus tempos de jabuti...
Confesso que só me dei conta disso quando recebi um telefonema informando que meu livro “História do Jornalismo” (São Paulo, Paulus, 2012) era finalista da edição 2013. Eu ignorava que a editora o inscrevera. E fiquei na expectativa, pois se criou uma torcida entre os meus amigos e colegas. Instaurou-se um ambiente saudavelmente competitivo como bem observou a presidente da Câmara Brasileira do Livro.
“O Jabuti incentiva a leitura e promove a cultura brasileira. A aposta em novos talentos soma-se à consagração dos autores mais experientes. Também valoriza a criação e reconhece os artistas do livro...” (Karine Pansa, 55º. Jabuti – Catálogo 2013, São Paulo, CBL, 2013, p. 1)
Não posso deixar de dizer que me senti contente e gratificado, na noite do Jabuti, perfilando entre os “autores mais experientes”, ao receber o troféu destinado ao Melhor Livro de Comunicação. Igual sensação transparecia na atitude de outros companheiros que ingressavam na confraria do jabuti.

Inicialmente, os parâmetros para inclusão das obras inscritas e os critérios para o seu julgamento pautavam-se pela tradição literária, deixando de lado as publicações de natureza científica. Aos poucos o regulamento se tornou flexível.
Em consequência, os editores e os autores dos livros publicados nas áreas de jornalismo, publicidade, cinema, relações públicas, rádio, televisão, internet etc. foram contemplados no certame, podendo fazer jus ao troféu Jabuti.
A escolha de tal signo tem raízes nacionalistas, precedendo, portanto, o ambiente sombrio instaurado pelo golpe militar de 1964. Por que jabuti e não outros animais pertencentes à fauna brasileira que estão mais bem situados no imaginário popular?
Sua escolha, em verdade, configura um paradoxo. Suscita perplexidades, quando confrontado pelos exegetas da mitologia verde-amarela. Para os colonizadores portugueses, o jabuti não passava de uma espécie de cágado, débil e silencioso. Mas as tribos tupi-guarani viam esse pequeno animal, de pernas curtas e vagaroso, como portador de atributos mágicos.
Astucioso, polêmico, bem-humorado, embutia o temperamento do escritor. Tem casca grossa, protegendo-se das adversidades, sem deixar de se divertir, ironizar, tirar um sarro... Foi dessa maneira que o certame se legitimou. E começou a ser disputado pelos intelectuais que habitam o espaço beltraniano. Em outras palavras, o campo da comunicação estava vivenciando seus tempos de jabuti...
Confesso que só me dei conta disso quando recebi um telefonema informando que meu livro “História do Jornalismo” (São Paulo, Paulus, 2012) era finalista da edição 2013. Eu ignorava que a editora o inscrevera. E fiquei na expectativa, pois se criou uma torcida entre os meus amigos e colegas. Instaurou-se um ambiente saudavelmente competitivo como bem observou a presidente da Câmara Brasileira do Livro.
“O Jabuti incentiva a leitura e promove a cultura brasileira. A aposta em novos talentos soma-se à consagração dos autores mais experientes. Também valoriza a criação e reconhece os artistas do livro...” (Karine Pansa, 55º. Jabuti – Catálogo 2013, São Paulo, CBL, 2013, p. 1)
Não posso deixar de dizer que me senti contente e gratificado, na noite do Jabuti, perfilando entre os “autores mais experientes”, ao receber o troféu destinado ao Melhor Livro de Comunicação. Igual sensação transparecia na atitude de outros companheiros que ingressavam na confraria do jabuti.






