A moda agora é voltar a ser criança / Por Diego Sierra - UNIP (SP)
A moda agora é voltar a ser criança / Por Diego Sierra - UNIP (SP)
Atualizado em 16/08/2005 às 12:08, por
Diego Sierra e estudante de jornalismo da UNIP campus Anchieta (São Paulo/SP).
Por Os anos 80 voltaram. A nostalgia está na moda e jovens de todas as idades estão cultuando seus LP´s do Balão Mágico que encontraram no fundo do armário. É o fenômeno dos "kidults", os adultos que querem reviver as lembranças da infância.
Em 1859, Casimiro de Abreu já se antecipava: "que saudades que tenho, da aurora da minha vida, da minha infância querida, que os anos não trazem mais". Aos 21 anos, pouco antes de morrer de tuberculose, o poeta romântico evocava seus tempos de menino, as "tardes fagueiras, à sombra das bananeiras, debaixo dos laranjais".
Os kidults de hoje freqüentam sebos, festas temáticas e trocam músicas na internet, que está pipocando de sites e grupos de discussão sobre o tema. No centro de São Paulo, há filas todo final de semana para entrar na Trash 80´s, um dos programas mais populares entre os kidults. A festa ganhou uma versão aos sábados na Vila Olímpia, organizou a balada oficial da Parada Gay deste ano e em breve deve chegar à Vila Madalena. Em Pinheiros, o Darta Jones reúne jovens que querem jogar Atari, lembrar o "Xou da Xuxa" e chupar Dip Lik, o "pirulito do pózinho".
A jornalista e consultora de vinhos Fabiana Faria, 23 anos, e seu noivo Marcos Alvim, 27, profissional da área de controladoria, adoram lembrar os anos 80. Fabiana possui mais de 150 cds com sucessos da época e o casal vive ripando discos de vinil antigos nos sebos da cidade. Canceriana, ela se considera uma "nostálgica por excelência". Ela endossa a opiniao de psicólogos e especialistas sobre o tema "A nostalgia dos anos 80 entra em nossa vida como uma válvula de escape. Parece que todos os males são mandados embora, sabe? Se estou meio tristinha, é só escutar um pouco dessas tranqueiras que o meu humor já muda na hora", diz. Marcos conta que usa a nostalgia para esquecer um pouco do estresse e da violência do dia-a-dia, mas adverte: "o que não pode acontecer é começar a se esconder atrás disto pra se livrar das responsabilidades, e isto muita gente faz. Pra mim é um momento de relaxamento que me leva aos tempos de criança e quando volto estou menos tenso pra continuar a vida, crescendo, mas sempre lembrando de onde vim, de como era e de como aquilo tudo foi bom".
Especialistas tentam desvendar o fenômeno. Em artigo no Caderno Mais da Folha de S. Paulo, o sociólogo inglês Frank Furedi disse que "o senso de desespero que cerca a identidade adulta ajuda a explicar por que a cultura contemporânea tem dificuldade em traçar uma linha divisória entre a infância e a idade adulta". Ele conta que decidiu estudar o assunto depois de ter visto alguns jovens assistindo aos Teletubbies enquanto mostrava o campus em que leciona a um colega. A professora de filosofia Ivy Knijnik acrescenta outro aspecto: "na ausência de passado histórico (que inexiste, porque o processo educacional esculhambou com o saber e o conhecimento do que já ocorreu), restam as memórias da futilidade, do consumo, ultrapassado".
O medo de enfrentar um mundo inseguro e ameaçador não se reflete apenas nos hábitos saudosistas. A vontade dos jovens de morarem sozinhos já não é tão grande como em outros tempos, e eles preferem ficar sob o sustento dos pais. A idéia do casamento, que além de fora de moda, acontece cada vez mais tarde, intensifica essa situação. Por isso, é cada vez mais comum encontrar adultos na faixa dos 30 anos que ainda residem com a família.
Esse foi quase o caso jornalista mineiro Alexandre Vaz, de 29 anos, que mora sozinho há menos de um ano. Ele relutou em sair da casa dos pais, pois seu salário não é suficiente para se sustentar. "Foi a partir daí que comecei a desenhar algum futuro para mim, mesmo com pouca grana. Um futuro meu, que eu resolvi bancar sozinho", conta. Ele gosta especialmente de filmes, músicas e games da época, e resolveu criar o "The Growing Up Project (www.kidult.zip.net), um blog em que discute as inseguranças e angústias da passagem da adolescência para a vida adulta.
Os kidults também chegaram no mundo fashion, e o universo infantil vem inspirando as coleções de grifes como Ellus, Ronaldo Fraga e Isabela Capeto. Segundo a empresária e consultora de moda Glória Kalil, essa "síndrome de Peter Pan" é divertida, porém preocupante. "Nós estamos no reinado dessa espécie de infantilização, é uma moda que reflete um problema, uma situação muito incômoda".
Um dos maiores ícones do rock dos anos 80, Kid Vinil, que já foi VJ da MTV e atualmente é diretor artístico da Rádio Brasil 2000, também não gosta dos kidults "Acho esse negócio de colecionar bugigangas de anos 80 uma besteira, mesmo música infantil da época eu sempre odiei. Meu negócio sempre foi ligado à música, detesto esse tipo de saudosismo."
Em 1859, Casimiro de Abreu já se antecipava: "que saudades que tenho, da aurora da minha vida, da minha infância querida, que os anos não trazem mais". Aos 21 anos, pouco antes de morrer de tuberculose, o poeta romântico evocava seus tempos de menino, as "tardes fagueiras, à sombra das bananeiras, debaixo dos laranjais".
Os kidults de hoje freqüentam sebos, festas temáticas e trocam músicas na internet, que está pipocando de sites e grupos de discussão sobre o tema. No centro de São Paulo, há filas todo final de semana para entrar na Trash 80´s, um dos programas mais populares entre os kidults. A festa ganhou uma versão aos sábados na Vila Olímpia, organizou a balada oficial da Parada Gay deste ano e em breve deve chegar à Vila Madalena. Em Pinheiros, o Darta Jones reúne jovens que querem jogar Atari, lembrar o "Xou da Xuxa" e chupar Dip Lik, o "pirulito do pózinho".
A jornalista e consultora de vinhos Fabiana Faria, 23 anos, e seu noivo Marcos Alvim, 27, profissional da área de controladoria, adoram lembrar os anos 80. Fabiana possui mais de 150 cds com sucessos da época e o casal vive ripando discos de vinil antigos nos sebos da cidade. Canceriana, ela se considera uma "nostálgica por excelência". Ela endossa a opiniao de psicólogos e especialistas sobre o tema "A nostalgia dos anos 80 entra em nossa vida como uma válvula de escape. Parece que todos os males são mandados embora, sabe? Se estou meio tristinha, é só escutar um pouco dessas tranqueiras que o meu humor já muda na hora", diz. Marcos conta que usa a nostalgia para esquecer um pouco do estresse e da violência do dia-a-dia, mas adverte: "o que não pode acontecer é começar a se esconder atrás disto pra se livrar das responsabilidades, e isto muita gente faz. Pra mim é um momento de relaxamento que me leva aos tempos de criança e quando volto estou menos tenso pra continuar a vida, crescendo, mas sempre lembrando de onde vim, de como era e de como aquilo tudo foi bom".
Especialistas tentam desvendar o fenômeno. Em artigo no Caderno Mais da Folha de S. Paulo, o sociólogo inglês Frank Furedi disse que "o senso de desespero que cerca a identidade adulta ajuda a explicar por que a cultura contemporânea tem dificuldade em traçar uma linha divisória entre a infância e a idade adulta". Ele conta que decidiu estudar o assunto depois de ter visto alguns jovens assistindo aos Teletubbies enquanto mostrava o campus em que leciona a um colega. A professora de filosofia Ivy Knijnik acrescenta outro aspecto: "na ausência de passado histórico (que inexiste, porque o processo educacional esculhambou com o saber e o conhecimento do que já ocorreu), restam as memórias da futilidade, do consumo, ultrapassado".
O medo de enfrentar um mundo inseguro e ameaçador não se reflete apenas nos hábitos saudosistas. A vontade dos jovens de morarem sozinhos já não é tão grande como em outros tempos, e eles preferem ficar sob o sustento dos pais. A idéia do casamento, que além de fora de moda, acontece cada vez mais tarde, intensifica essa situação. Por isso, é cada vez mais comum encontrar adultos na faixa dos 30 anos que ainda residem com a família.
Esse foi quase o caso jornalista mineiro Alexandre Vaz, de 29 anos, que mora sozinho há menos de um ano. Ele relutou em sair da casa dos pais, pois seu salário não é suficiente para se sustentar. "Foi a partir daí que comecei a desenhar algum futuro para mim, mesmo com pouca grana. Um futuro meu, que eu resolvi bancar sozinho", conta. Ele gosta especialmente de filmes, músicas e games da época, e resolveu criar o "The Growing Up Project (www.kidult.zip.net), um blog em que discute as inseguranças e angústias da passagem da adolescência para a vida adulta.
Os kidults também chegaram no mundo fashion, e o universo infantil vem inspirando as coleções de grifes como Ellus, Ronaldo Fraga e Isabela Capeto. Segundo a empresária e consultora de moda Glória Kalil, essa "síndrome de Peter Pan" é divertida, porém preocupante. "Nós estamos no reinado dessa espécie de infantilização, é uma moda que reflete um problema, uma situação muito incômoda".
Um dos maiores ícones do rock dos anos 80, Kid Vinil, que já foi VJ da MTV e atualmente é diretor artístico da Rádio Brasil 2000, também não gosta dos kidults "Acho esse negócio de colecionar bugigangas de anos 80 uma besteira, mesmo música infantil da época eu sempre odiei. Meu negócio sempre foi ligado à música, detesto esse tipo de saudosismo."






