A mídia somos nós

A essa altura dos acontecimentos, “é do conhecimento até do mundo mineral”, como diz Mino Carta, que os leitores de mídia impressa estão mig

Atualizado em 04/11/2013 às 13:11, por Gabriel Priolli.

Crédito:Leo Garbin rando aceleradamente para as plataformas digitais. Dados do TGI-Brasil mostram que, de 2011 para 2012, a internet teve um crescimento de audiência de 9%, enquanto os jornais perderam 7% de leitores e as revistas, 8%. De lá para cá, é certo que essa tendência se manteve.
Sabe-se também, de outro lado, que a maioria dos telespectadores agora usa duas telas ao mesmo tempo, a da tevê para ver os programas e a do celular, ou do tablet, para comunicar-se nas redes sociais. Pesquisa de comportamento do Ericsson Consumer Lab, de 2012, indica que o número de pessoas que combinam redes sociais com tevê aumentou 18% no mundo e 25% no Brasil, sobre 2011. Já são pelo menos 62% os telespectadores brasileiros que tuítam ou “feicebucam” durante a novela, a série, o futebol, o que estiverem vendo.
Somando uma coisa à outra, o que se enxerga não é apenas uma mudança de suporte físico no consumo de informação. É uma mudança essencial no ato de consumir. Foi-se o tempo de receber os conteúdos passivamente, refletir sobre eles e comentá-los com a família, os amigos, os colegas de trabalho, muitas vezes, no dia seguinte.
Agora, ser informado e comentar a informação são atividades simultâneas. A pessoa lê ou vê alguma coisa interessante e, de imediato, manda esse conteúdo para a sua rede de contatos, com a sua opinião anexada, ainda que seja um singelo “like”. Ou seja: agora, todo consumidor de informação é também, ao mesmo tempo, um editor e um distribuidor.
Por exemplo, eu não leio nem assino jornais de Pernambuco, mas amigos de lá se encarregam de me dar acesso às notícias desses jornais, que já me chegam comentadas. Vale o mesmo para qualquer parte do mundo e para todo tipo de informação, seja texto, áudio ou vídeo, vindo da fonte que vier. E vale também no sentido inverso. Seleciono o que leio ou vejo, faço comentários e distribuo. Circulo informação e opinião para centenas de pessoas, que reproduzem para outras centenas, logo somos milhares e assim somamos milhões.
É importante que os veículos quantifiquem o compartilhamento de seus materiais nas redes sociais, para valorizar as tabelas de publicidade e assegurar o financiamento que os mantém vivos. Mas convém, sobretudo, que estudem mais esse novo comportamento do público e ajustem sua mentalidade a ele. Convém que desçam do pedestal, ampliem os mecanismos de participação, estimulem a colaboração dos consumidores, compartilhem a produção do conhecimento.
Nesse tempo em que todos são mídia, quem é mídia há mais tempo está em vantagem. Ganha mais em autoridade e prestígio, se souber jogar junto com o público, em vez de apenas cantar o jogo para ele.
foi editor executivo e diretor de redação de IMPRENSA entre 1987 e 1991. Hoje é produtor independente de TV.
gpriolli@ig.com.br.