A literatura, a imprensa e o futebol

Sempre foi assim. O que está fora acompanha o que está dentro. E o que está dentro acompanha o que está fora. De olho nessa observação ‘fute

Atualizado em 04/11/2013 às 15:11, por Rodrigo Viana.

Crédito:Leo Garbin bol-holística’, é bom lembrar que em 1970, pouco antes da Copa do México, foi criada a revista Placar, aproveitando o momento favorável do futebol e do mercado.
O sucesso de vendas no início viria a preencher a lacuna de uma publicação nacional sobre o futebol. A revista, num primeiro momento, levantou como bandeira a estruturação e modernização do comando do futebol brasileiro. E, num claro movimento de organização de um mercado consumidor, ainda em 1970, a série de reportagens “A Falência dos Cartolas”, propunha várias mudanças, entre elas, a criação de um campeonato verdadeiramente nacional, o que foi adotado em 1971.
É bom dizer também sobre o reforço do mito. Pelé foi o personagem da capa da primeira edição, que vendeu quase 200 mil exemplares (mais detalhes sobre a história da mais emblemática revista brasileira de futebol podem ser obtidos no livro “Onde o esporte se reinventa: histórias e bastidores dos 40 anos de Placar”, de Bruno Chiarioni e Márcio Kroehn).
Mas se dermos um salto para o passado, vamos observar que em 1936 o jornalista Mário Filho, irmão de Nelson Rodrigues, comprou o Jornal dos Sports de Roberto Marinho e lá criou os Jogos da Primavera, os Jogos Infantis, e o Torneio Rio-São Paulo, que cresceu e se tornou o que viria a ser o Campeonato Brasileiro, melhor ‘formatado’ com a ajuda de Placar, em 1971, como dissemos.
Já na década de 1940, véspera do Mundial no Brasil, Mário conseguiu convencer, através de suas tribunas na imprensa, a opinião pública carioca de que o Brasil teria que ter o maior estádio do mundo, no bairro do Maracanã, com capacidade para mais de 150 mil torcedores/consumidores. Dito e feito. A final da Copa de 1950 teve um público estimado de 200 mil pessoas. Não à toa, Nelson Rodrigues, homenageou o irmão com o jargão de “o criador de multidões”. É também de Mário Filho o livro mais importante sobre o assunto no Brasil até hoje: “O negro no futebol brasileiro”, escrito em 1947.
Digo tudo isso pra mostrar ao leitor a importância das páginas de jornais, livros e (hoje) internet para o desenvolvimento deste hegemônico esporte no Brasil, o futebol, nas vésperas de uma Copa do Mundo. Não é difícil observar que, ao longo da história, à medida que os jogadores promoviam o espetáculo dentro de campo, a crônica esportiva e os mídias ganhavam força e organizavam o futebol fora dele. Assim, produto e oferta casavam-se numa lua de mel perfeita.
Nossa dose de otimismo literojornalístico é que, somente neste ano, foram lançados 126 livros sobre futebol e a estimativa é que o número chegue a 140 livros até o fim do ano. Em anos de Copa do Mundo sempre há um acréscimo em lançamentos. A aposta é que em 2014, com a Copa aqui no Brasil, o número de produção literária sobre futebol no Brasil vai apresentar um recorde de produções sobre futebol.