A língua do mundo
A língua do mundo
A língua está solta. Não apenas por causa da proximidade com o mês dos namorados. A língua está solta nos tantos alfabetos, nas letras que o compõe. Antes, o idioma do mundo era o inglês. Agora é inglês, espanhol, francês, italiano. Chinês. O mundo não tem uma língua, mas várias. E ele está cada vez mais fragmentado, dividido; nas falas, nos interesses, até nos prenúncios da natureza. As placas tectônicas em movimento logo abaixo e próximas de nós: um retrato das mudanças do mundo, das movimentações que chegam como surpresas - embora já esperássemos por elas há bom tempo.
A maior movimentação do mundo gira em torno do seu próprio e novo conceito - que implica em novas atitudes e visões sobre a atualidade. Mergulhamos na época das misturas. Assim como temos todas as possibilidades de canais em diversas línguas pela TV fechada, também nos conectamos de um link para outro na velocidade do mundo instantâneo. Douglas Kellner, autor do livro Cultura da Mídia, explica este novo conceito, do mundo onde "pode-se ser um pouco de tudo". Um exemplo é o papel assumido pelo homem e pela mulher. Antes, ele era definido, inflexível e limitado: a mulher cuidava das crianças, da casa e cozinha, e o homem, por sua vez, era o responsável pela caça e pelo dinheiro de sustento da família. No tempo do agora, vivemos o rompimento de padrões e possibilidades. Podemos fazer um pouco de tudo, transitar por várias áreas, trabalhar em vários setores, estudar e falar muitos idiomas.
Talvez a maior contradição do presente seja a discussão entre foco e diversidade. Precisamos ter foco, a palavrinha-chave. Mas também conhecer o mundo, sua multiplicidade. Precisamos ser profundos e superficiais. Embora, a teoria dos livros e a prática do dia-a-dia indicam que a segunda palavra deva dominar. Já não nos aprofundamos mais. Passeamos, circulamos e inauguramos a era da superficialidade, onde folhear todas as revistas é importante, assim como dizer "Olá", "Hello", "Ciao". E a questão do idioma, por sua vez, permanece como uma obrigatoriedade óbvia, não mais como diferencial competitivo. Assim está acontecendo com a internet, que está atingindo os usuários da classe C, já no Brasil. Em poucas horas ninguém mais conseguirá emprego sem ter conhecimento de informática.
Bem, ainda que sejam muitas línguas, deve-se se escolher uma. Vou falar bem o inglês e "arranhar" no alemão e espanhol. Vou passar o olho por muitas revistas, mas me concentrar na National Geographic - caso você seja aspirante a jornalista na área ou apenas apaixonado pela natureza. De alguma forma, precisamos ter mais jogo de cintura do que no passado descrito por Douglas Kellner. Precisamos ser focados e versáteis. Criar o nosso próprio idioma parece fundamental para conviver com as tantas línguas do mundo.
* Dica de livro : A Cultura da Mídia, do autor Douglas Kellner






