“A ligação entre informação e entretenimento não é prejudicial ao jornalismo”, diz escritora
O jornalista mais famoso das histórias em quadrinhos deixou para trás a vida nas redações no fim de outubro. Clark Kent, o Super-Homem, demitiu-se do Planeta Diário .
Atualizado em 08/11/2012 às 14:11, por
Edson Caldas*.
uol.com.br/content_file_storage/2012/11/08/clarkkent.jpg"> Demissão de jornalista nos quadrinhos reacende debate sobre jornalismo
Não foi uma demissão qualquer. O personagem da DC Comics saiu do jornal deixando uma forte crítica à profissão: ele alega que o jornalismo "está virando entretenimento". Clark estava cansado de ser pressionado por seu editor para conseguir notícias sobre o herói de Metropolis, que seriam "matérias que o público quer". Segundo o escritor Scott Lobdell, que elaborou a história, o pedido de saída foi consequência do que "acontece quando um cara de 27 anos fica atrás de uma mesa recebendo ordens de um conglomerado cujos interesses não são os mesmos que os seus". No entanto, embora seja fantasia, a história levantou importantes questões sobre a profissão como quanto o jornalismo e o entretenimento caminham lado a lado e, se vale tudo para atrair mais leitores. Fábia Dejavite, autora de "INFOtenimento: informação + entretenimento no jornalismo" e professora na Universidade Anhembi Morumbi, acredita que é possível unir informação e entretenimento sem comprometer a prestação de serviço ao público. "É uma forma de atrair mais a atenção das pessoas para assuntos, agregando personagens e explorando suas experiências. Coisa que o jornalismo cultural já faz há tempo", explica. A educadora aponta que esse casamento vem expandindo. "Isso está chegando a outros cadernos, como política, economia, tradicionais de hard news." Dejavite diz que o jornalismo só é prejudicado quando não se respeita a ética. “Não é a ligação entre informação e entretenimento que é prejudicial ao jornalismo e à sociedade - já que isso é inevitável pelas novas tecnologias -, o que é prejudicial é a forma de tratar o conteúdo e explorá-lo, os interesses de audiência e também políticos que estão no processo”. “Primar pela ética, pelas boas histórias e bem contá-las, com ética e com infotenimento, é o que os jornais podem fazer”, acrescenta. “O infotenimento - junção de informação com entretenimento - não impede o bom jornalismo, o que impede é a notícia sendo tratada como um mero produto à venda, coisa de empresários que só querem lucrar e não informar a sociedade.”
*Com supervisão de Vanessa Gonçalves
Não foi uma demissão qualquer. O personagem da DC Comics saiu do jornal deixando uma forte crítica à profissão: ele alega que o jornalismo "está virando entretenimento". Clark estava cansado de ser pressionado por seu editor para conseguir notícias sobre o herói de Metropolis, que seriam "matérias que o público quer". Segundo o escritor Scott Lobdell, que elaborou a história, o pedido de saída foi consequência do que "acontece quando um cara de 27 anos fica atrás de uma mesa recebendo ordens de um conglomerado cujos interesses não são os mesmos que os seus". No entanto, embora seja fantasia, a história levantou importantes questões sobre a profissão como quanto o jornalismo e o entretenimento caminham lado a lado e, se vale tudo para atrair mais leitores. Fábia Dejavite, autora de "INFOtenimento: informação + entretenimento no jornalismo" e professora na Universidade Anhembi Morumbi, acredita que é possível unir informação e entretenimento sem comprometer a prestação de serviço ao público. "É uma forma de atrair mais a atenção das pessoas para assuntos, agregando personagens e explorando suas experiências. Coisa que o jornalismo cultural já faz há tempo", explica. A educadora aponta que esse casamento vem expandindo. "Isso está chegando a outros cadernos, como política, economia, tradicionais de hard news." Dejavite diz que o jornalismo só é prejudicado quando não se respeita a ética. “Não é a ligação entre informação e entretenimento que é prejudicial ao jornalismo e à sociedade - já que isso é inevitável pelas novas tecnologias -, o que é prejudicial é a forma de tratar o conteúdo e explorá-lo, os interesses de audiência e também políticos que estão no processo”. “Primar pela ética, pelas boas histórias e bem contá-las, com ética e com infotenimento, é o que os jornais podem fazer”, acrescenta. “O infotenimento - junção de informação com entretenimento - não impede o bom jornalismo, o que impede é a notícia sendo tratada como um mero produto à venda, coisa de empresários que só querem lucrar e não informar a sociedade.”
*Com supervisão de Vanessa Gonçalves






