“A internet é o veneno e o remédio para a crise do jornalismo”, diz Guilherme Alpendre

Na edição desta sexta-feira (11/07), o programa “IMPRENSA na TV” recebeu o jornalista Guilherme Alpendre, secretário-executivo da Associação

Atualizado em 11/07/2014 às 17:07, por Gabriela Ferigato.

Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). De acordo com ele, existe uma crise no modelo do jornalismo impresso, sendo o surgimento da internet o estopim desse conflito.
Crédito:reprodução Guilherme Alpendre, da Abraji, foi o convidado desta sexta-feira
“Ela é o veneno e o remédio na verdade, porque é por meio da internet que surgem novas formas. O grande desafio é achar um modelo de negócio que consiga remunerar de forma justa o repórter que se dedica a uma boa reportagem nessa plataforma”, afirma.
Entre as iniciativas no Brasil, Alpendre destaca o trabalha da ONG Repórter Brasil, da Agência Pública, da Vice Brasil, da Mídia Ninja, do Indie Journalism e da Ponte. “São exemplos de jornalismo investigativo e independente. Nos Estados Unidos, há vários veículos nessa linha, a Rádio Pública, por exemplo, é financiada por ouvintes. Não saberia colocar o Brasil em um ranking em termos do desenvolvimento do jornalismo investigativo. Há iniciativas com gente muito qualificada e com muita experiência. Não são aventureiros”, diz.
Quando se fala em jornalismo investigativo, o executivo ressalta qual o conceito desse termo para a Abraji. “Enxergamos isso como um bom jornalismo, de profundidade e com a finalidade de defender o interesse público. Muita gente confunde com o policial, uma espécie de Sherlock Holmes que fará justiça. O nosso jornalista passa mais tempo analisando documentos do que perseguindo bandidos”.

Nesse cenário, Alpendre afirma que existe sim um grande risco de ações judiciais contra esses profissionais. Segundo ele, é comum que, em primeira instância, haja decisões desfavoráveis, como indenizações ou a proibição de escrever sobre determinada pessoa/assunto.

“Há uma tendência global de se acabar com pena de prisão para crimes de calúnia, difamação e injúria, e deixar isso no âmbito civil. Um jornalista recentemente foi condenado a um ano de prisão por ter publicado uma reportagem, isso é algo que nos preocupa bastante. A ideia é que a Abraji monitore esses pedidos judiciais, principalmente no período eleitoral, que aumenta de forma espantosa”.

Sobre o tema “agressões a jornalistas”, o executivo destaca que, desde o dia 12 de junho do ano passado, foram registrados 196 casos de profissionais agredidos, presos ou vítimas de hostilidade durante protestos. Desse número, 24 aconteceram durante a Copa do Mundo.

Congresso

Nos dias 24, 25 e 26 de julho acontece o 9º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji. Serão mais de 200 participantes, além de cursos práticos. O evento será realizado na Universidade Anhembi Morumbi (Campus Vila Olímpia), em São Paulo. As inscrições vão até o dia 20 de julho. Mais informações no site da