A informação e a desinformação sobre câncer de mama
A informação e a desinformação sobre câncer de mama
Um grupo de pesquisadores ligados ao governo americano publicou essa semana as novas diretrizes recomendadas para o rastreamento do câncer de mama, doença que mata por ano 500 mil mulheres em todo o mundo.
Os autores da pesquisa recomendam que mamografias de rotina passem a ser feitas a partir dos 50 anos, e não mais a partir dos 40, para aquelas mulheres que não pertencem aos grupos de risco. E que sejam feitas de dois em dois anos e não mais a cada 12 meses.
Justificam a recomendação dizendo que querem evitar o excesso de exames desnecessários e diminuir o número de resultados falsos positivos.
Não consigo acreditar nisso. Fico imaginando que interesses econômicos inconfessos podem estar por trás dessas sugestões de mudanças, nesses tempos de economia turbulenta e esforços para redução nos custos do sistema de saúde.
Venho de uma família com uma alta incidência de vários tipos de cânceres. Minha mãe é uma sobrevivente de três batalhas contra essa doença. A última, em 2007, justamente contra um câncer de mama. Faço parte, portanto, de um grupo de risco. E independente de recomendações de pesquisadores, pretendo continuar checando minha saúde anualmente e fazendo todos os exames preventivos recomendados pelos médicos e pelo meu bom senso.
Ainda mais porque outras fontes mais independentes indicam que a incidência precoce de câncer de mama tem aumentado consideravelmente em comparação com gerações passadas. Talvez o caso mais recente seja o dessa menina aí da foto.
| Divulgação |
| Hannah Powell- Auslam |
Por ano 180 mil mulheres nos Estados Unidos recebem o mesmo diagnóstico, mas Hannah virou notícia por ser criança, praticamente sem seio ainda.
Ela reclamou de uma coceira no peito e a mãe, ao tocar o local, sentiu um caroço. O médico que as atendeu não parecia preocupado. Disse ser impossível uma menina antes da puberdade ter câncer de mama, mas a biópsia voltou positiva e a mastectomia foi inevitável.
Hannah é portadora de um carcinoma secretório, um tipo de cancer tão raro que nas estatísticas da doença ele responde por 0.15% de todos os casos reportados e em toda a história da literatura médica há menos de 300 casos registrados.
O prognóstico de Hannah é bom porque o tumor tem um crescimento lento e o câncer foi extirpado antes de invadir outros sistemas do corpo dela.
A médica Marisa Weiss, fundadora e presidente de uma organização de combate ao câncer (Breastcancer.org) e autora do livro "Cuidando de suas meninas: um guia para a saúde das mamas de meninas e adolescentes" (Taking care of your "girls": a breast health guide for girls, teens and in-between) afirmou numa entrevista que dos 8 aos 18 anos tudo que uma menina come, bebe e respira vai influenciar a saúde e formação dos tecidos mamários.
Ela disse que os cientistas suspeitam que poluentes no ar, pesticidas na água e alimentos, e hormônios e conservantes presentes na maioria dos produtos industrializados podem ser os responsáveis pelo aparecimento dessa doença cada vez mais precocemente em mulheres dos países ocidentais desenvolvidos.
| Divulgação | |
| Tatuagem |
Aqueles que quiserem mais informações e atualizações sobre o caso de Hannah podem visitar esse site: . Como esse é um assunto que muito me interessa também fiz a tradução e as legendas sobre um outro tipo de câncer não muito conhecido. Os interessados em ver podem clicar aqui:
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