"A imprensa não sabe cobrir Cuba; diz sempre mais do mesmo", critica jornalista espanhol
Formado pela Universidade Autônoma de Barcelona, o jornalista espanhol Joan Antoni Guerrero decidiu especializar-se em temas cubanos. Atualmente, Guerrero colabora para as Rádios e TV Marti, de Miami.
Em entrevista à IMPRENSA, Guerrero fala sobre os contextos envolvendo Cuba e as importantes mudanças da ilha; o que o motivou a especializar-se no assunto, e também critica a imprensa, que, segundo ele, não tem sensibilidade para perceber as mudanças na naquele país, ficando apenas nos "clichês e lugares comuns da cobertura".
IMPRENSA - Porque você decidiu fazer o blog "Ponto de Vista"?
Joan Antoni Guerrero - Este blog era de caráter pessoal quando eu comecei. Porém, progressivamente, comecei a mostrar interesse por temas cubanos. Na Espanha, se sente certa proximidade com a ilha por todas as questões históricas que compartilhamos. A visão atual de Cuba, na Europa, está contaminada por muitos tópicos e ideias distorcidas pela ditadura de Fidel e Raul Castro.
IMPRENSA - Inclusive pelos meios de comunicação?
Guerrero - Os meios de comunicação têm feito um retrato da atualidade da ilha muitas vezes parcial e contaminado. Muitas coisas não estão sendo devidamente cobertas pela imprensa. Desde 2007, por exemplo, existe um movimento de blogueiros na ilha que tem contribuído para oferecer uma imagem nova do que acontece em Cuba. Eu acredito que, muito rapidamente, a foto da Cuba castrista se move. As novas tecnologias permitiram, também, uma maior difusão dos movimentos de oposição tradicionais ao castrismo. É por todo esse movimento interno em Cuba que decidi abrir o blog.
IMPRENSA - Que experiências você trás de quando esteve em Cuba?
Guerrero - Sempre que regressei de cada viagem que fiz à Cuba eu publicava alguma reportagem na imprensa espanhola e também alguma colaboração em algum blog cubano. Sempre viajei para lá com olhos críticos em relação a Cuba. Me parece muito antipático que se viaje à ilha para comprovar se existe uma ditadura ou não. Parece impossível, mas, hoje, existem pessoas que duvidam das denuncias sobre o regime castrista.
IMPRENSA - Como você vê a atual situação de Cuba?
Guerrero - A atual situação de Cuba é desesperadora. O poder foi transferido das mãos de um ditador para outro que é seu irmão. O que se tem produzido naquele país é uma sucessão dinástica sem nenhum tipo de consulta popular. Raúl Castro introduziu algumas mudanças que, por um lado, sugerem o reconhecimento de que o sistema comunista não funciona para criar riqueza e bem-estar generalizado; por outro lado, que o regime pretende se salvar mediante um capitalismo sem direitos reconhecidos pelos cidadãos.
IMPRENSA - Acredita que depois da morte de Fidel mudanças drásticas podem acontecer?
Guerrero - Creio que atualmente existe uma primeira sucessão que é o atual governo de seu irmão Raúl. Ele disse, recentemente, que, em cinco anos, abandonaria o poder. Estamos por ver se esses cinco anos serão fáceis para um dirigente envelhecido, que não tem capacidade para entender as profundas mudanças que ocorrem no mundo. É difícil determinar o que vem depois de Raúl, mas acredito que o desejo mais estendido é que se produza uma transição democrática. Imagino que, depois da morte dos ditadores, aconteça o que aconteceu na Espanha depois da morte de Franco.
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