"A imprensa está sendo capaz de sensibilizar as pessoas a ponto de incomodar?", questiona Paula Miraglia sobre a abordagem de Educação
A palestra “Editores e a educação como notícia” promoveu o encontro entre o editor do caderno “Cotidiano” da Folha de S.Paulo, Eduardo Scol
A palestra “Editores e a educação como notícia” promoveu o encontro entre o editor do caderno “Cotidiano” da Folha de S.Paulo , Eduardo Scolese, a co-fundadora e diretora-geral do Nexo Jornal, Paula Miraglia, e o chefe de Produção de Rede na TV Globo, Nelio Horta, para debaterem o assunto. O encontro, moderado pelo gerente de conteúdo do movimento “Todos Pela Educação”, Ricardo Falzetta, foi organizado pelo durante o 1o Congresso de Jornalismo de Educação, na Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, dia 29 de junho de 2017.
Cr?dito:Alice Vergueiro/Jeduca Nelio Horta, Paula Miraglia, Eduardo Scolese e Ricardo Falzetta“Como você reconquista o público para um tema que aparece o tempo todo na mídia? Por que a educação não comove e como romper esta anestesia do público?”, questiona Paula. Ela reforça que a educação é ofertada como estratégia de prevenção à violência, mas é sobretudo um direito, e que é papel do jornalista conscientizar o leitor disso. “Isso não significa que não possa explorar a interface com outras áreas. No Nexo, a gente gosta de pensar a formação das narrativas com base em evidências, buscando em estudos elementos mais concretos. Nossa missão é qualificar o debate público”, disse.
Scolese falou sobre a importância de amarrar conhecimento teórico com a realidade. “O repórter de educação tem de ser de ar condicionado e de rua. Saber interpretar dados e colocar o pé na estrada”. Ele reforça a abrangência da pauta, que inclui reportagens de investigação, casos de superação, comportamento e serviço.
Já Horta lembra que a disputa do assunto educação é muito mais com o factual e que “o jornalista deveria trazer a pauta de forma transversal e não de forma encaixotada”. Ele alerta para as diferentes realidades da educação nos quatro cantos do Brasil. “O que me preocupa é que a realidade de São Paulo é completamente diferente do restante do país, que também tem pautas para serem mostradas, mas não podem ser usadas como modelo. O tema deve ser sempre bem analisado, sem parecer que está dando conselho. Se for tratado com um olhar científico, desperta o olhar crítico sobre uma realidade”, completou.
A seleção das fontes de educação
A diretora-geral do Nexo Jornal reforça que se a mídia não pauta o debate, perde a função: “Um olhar crítico por parte do jornalista, do veículo, é fundamental, nosso papel”. Paula pontua questões essenciais para reflexão: “A gente (imprensa) está sendo capaz de sensibilizar as pessoas a ponto de incomodar? Como é que a gente cria consciência? Tem que criar empatia, compromisso com o tema, aproximar o leitor de realidades distintas da sua”.
Falzetta lembrou das fundações de educação e dos especialistas como fontes, e questionou como a mídia deve tratar os dados. Scolese mencionou a importância das fundações na elaboração de pesquisas, mas, de acordo com ele, “é nosso papel (da mídia) analisar a pesquisa e também ouvir fontes externas; encontrar o lead , por exemplo, no pé do material”.
Horta falou do desafio de encontrar quem são as pessoas que vão mostrar o contraditório e apontar caminhos, soluções: “Eu preciso de opiniões e olhares diferentes sobre o assunto”.
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