“A imprensa está cada vez menos preparada”, diz Leão Lobo, sobre cobertura de celebridades
Há 25 anos, Leão Lobo já dava seus “pitacos” em coluna para a Folha da Tarde, fazia participações esporádicas no “Canal Livre”, da Band, masainda não tinha um programa ou um quadro fixo em TV.
De 1987, ano em que a primeira edição de IMPRENSA chegava às gráficas, até a atualidade, a coluna social e o jornalismo de celebridades mudaram muito. Com humor singular, o jornalista analisa a profissão fala sobre sua relação com as celebridades.
IMPRENSA - O que mudou no jornalismo de celebridades durante os últimos 25 anos?
Leão Lobo - Mudou muito. Naquela época, acho que a gente tinha, por exemplo, alguns fotógrafos especializados em celebridades. Tinha o Coruja [Luizinho Coruja], não é? Na época que eu era editor da contigo em 91. Depois disso, eu acho que com a internet, a coisa se sofisticou muito. Hoje tem paparazzi em tudo quanto é lugar.
O perfil dos artistas também mudou?
Os artistas ficaram mais agressivos. Antigamente, o artista era um amigo do jornalista. Gostavam de dar entrevistas. Hoje, não quer falar nada, faz tudo para se esconder, esconder seu namoro. Eu acho uma perda de tempo. Agora mesmo teve a mulher do Thiago Lacerda que discutiu com os fotógrafos na praia porque foi fotografada com os filhos. Qual é o problema? É um medo meio idiota. Outra coisa é que também os fotógrafos perderam um pouco o senso. Hoje em dia, artistas aparecem nos sites tomando sorvete no calçadão. Enfim, acho que piorou de todos os lados.
De alguma forma, as pessoas estão se promovendo mais?
Eu acho muito chato essa coisa de blog de artista e acho meio bobo porque eles colocam informação sobre eles mesmos. E isso nunca é legal. É que nem aquela coisa de fim de entrevista, quando o entrevistador pergunta um defeito e uma qualidade. E o defeito é sempre uma qualidade. Fala muita coisa boa de si mesmo. “Eu sempre sou generoso demais”. É claro, é seu blog, ele vai falar mal dele mesmo? Sempre é tudo muito positivo, bacana.
Assessores de imprensa de celebridades ajudam ou dificultam?
A imprensa está cada vez menos preparada e os artistas estão cada vez mais tolos e fúteis. E a assessoria de imprensa, paralelamente a isso, agora parece fiscal da vida do seu artista para quem trabalha, e mente, inventa coisa. É um desperdício. Não sei para que serve mais assessoria. Era para ser a ponte entre artista e imprensa. Hoje, virou uma coisa de fiscalização, controle, completamente sem sentido. Eu lembro muito de um caso da Cicarelli. Fui apurar se, afinal, ela abortou o bebê ou não, e a assessora de imprensa, não me lembro o nome dela, disse que “nem sim nem não”. Como alguém aborta “nem sim nem não”? [risos].
De que forma os artistas vem reagindo a abordagem dos jornalistas? Muitos escondem a vida pessoal a qualquer custo...
Claro, e isso só atrasa suas vidas. Tem umas coisas ridículas desse tipo. Por exemplo, a história do Zezé di Camargo que agora conta no “Fantástico” uma coisa que todo mundo sabe há dois anos, só porque está lançando disco, pensa que a gente é idiota. Eu mesmo disse que estava separado da mulher há dois anos. Depois vai a público para contar como se fosse uma grande bomba.
Depois de todos esses anos em uma área tão polêmica, chegou a perder muitos amigos?
As pessoas levam tudo muito a sério. Até brinco que o segredo de sucesso da Hebe, da Ivete Sangalo, da Sabrina Satto, é que elas não se levam a sério. Teve uma pessoa que eu disse que ia fazer 66 anos e, na verdade, ela disse que faria 64. Ela me processou e disse que foi invasão de privacidade.
*Com supervisão de Thaís Naldoni






