A imprensa e o impeachment
FOCA NA IMPRENSA "A imprensa e o impeachment" Tema: Os veículos de comunicação mostraram seu viés e contribuíram para o
Atualizado em 31/10/2016 às 13:10, por
Redação Portal IMPRENSA.
Artigo vencedor do Foca na IMPRENSA (Setembro/2016), por Leticia Simionato Benavides Frigo (PUC Campinas)
FOCA NA IMPRENSA"A imprensa e o impeachment"
Tema: Os veículos de comunicação mostraram seu viés e contribuíram para o resultado do impeachment?
AUTOR(A): Leticia Simionato Benavides Frigo
PUC CAMPINAS
O Brasil, que vive num contexto de crise política com a deposição de uma presidente, é palco de uma interação gigante entre os veículos de comunicação e o público, numa escala nunca vista antes, proporcionada pela Internet. O Impeachment de Dilma Rousseff foi amplamente discutido e noticiado. Uma gama de opiniões pipocou os veículos midiáticos em um ambiente de polarização exacerbada, entre aqueles que dizem se tratar de um golpe ou não.
Esta diversidade de opiniões veiculada pelos jornais deve ser entendida dentro dos limites da linha editorial de cada veículo. O consumidor de notícias deve conhecer a linha editorial de forma a não se tornar um simples fantoche, que aceita tudo o que é noticiado sem uma análise crítica. Sendo essencial reconhecer, por exemplo, as ideologias presentes nas páginas da Veja em oposição ás da Carta Capital.
Assim, desde o início do processo de Impeachment os meios midiáticos passaram a mostrar seu viés embasado em suas linhas editoriais. Defenderam de forma assídua, por meio de editoriais, o impeachment ou não, sendo apoiados ou criticados firmemente pelo público. Já aqueles veículos, que se dizem adeptos da imparcialidade, noticiaram incessantemente o fracasso do governo Dilma e sua perda de legitimidade perante o Congresso. Notou-se uma análise crítica do governo da ex-presidente muito antes do Impeachment, desde a sua reeleição em 2014.
O governo que está no poder sempre será alvo de avaliações negativas e críticas por parte da mídia. Afinal, essa é a função social do jornalismo: questionar fatos, da dos e informações sempre em função da verdade. Não há erro nisso.
O problema está quando a crítica se torna tão incessante que se transforma numa obsessão do veículo. Daí entra o conceito de Gatekeeper, o grande inimigo daqueles que defendem a existência de uma completa imparcialidade no jornalismo. Quando os 'guardiões do portão' se decidem pelos fatos que virarão notícia ou não, a imparcialidade se esvai por água abaixo. Esta peneira pode ser determinada pela questão da linha editorial do veículo ou por interesses econômicos.
É indubitável, como propõe a Teoria do Agendamento, o poder que a mídia exerce sob o pensamento e o que será discutido pelos indivíduos consumidores de notícias. O que é noticiado hoje será o assunto de amanhã nas rodas de conversas, no ambiente acadêmico e até mesmo dentro de casa. Dessa forma, o processo de Impeachment passou de uma mera especulação, em 2013, e acabou tomando forma graças à atuação dos veículos midiáticos, que o tornaram as sunto da agenda pública. Os veículos moldaram e influenciaram o pensamento dos leitores mais desavisados.
Porém nota-se que esta influência é limitada, levando-se em conta a tendência atual, na qual os consumidores de mídias já buscam aquilo que lhes é conveniente ler, ou seja, aquilo que condiz com a sua opinião, alienando-se dos outros fatos. Busca-se informar-se daquilo que reafirme suas próprias opiniões.






