“A história da MTV ainda precisa ser melhor contada”, diz Zico Góes, ex-diretor da emissora

Lá no dia 20 de outubro de 1990 nascia a primeira televisão aberta dedicada ao público jovem. Foram 23 anos de trajetória até que, em 2013, o canal encerrou suas operações e migrou para a tevê fechada.

Atualizado em 27/03/2014 às 15:03, por Gabriela Ferigato.

Muita coisa aconteceu nessas duas décadas. Para resgatar alguns dos momentos mais marcantes, o ex-diretor de programação da emissora, Zico Góes, lançou, em março, o livro “MTV, bota essa p#@% pra funcionar!” (Panda Books).
Crédito:divulgação Zico Góes, ex-diretor da MTV, acaba de lançar o livro “MTV, bota essa p#@% pra funcionar!” O título relembra uma “bronca” de Caetano Veloso durante o VMB 2004. Após uma falha no sistema de som durante sua apresentação ao lado de David Byrne, Caetano lançou essa pérola que virou praticamente um “slogan” do canal. Sem nenhuma pesquisa aprofundada ou entrevista, a produção do livro começou em setembro do ano passado e foi baseada em memórias, no máximo com a ajuda de alguns e-mails antigos.
A obra resgata episódios marcantes, muitas vezes polêmicos, curiosidades, comentários sobre VJs, mudanças de fases, audiência etc. Dentre tantas histórias, Góes destaca como as mais emblemáticas a briga entre o apresentador João Gordo e o ator Dado Dolabella e o vazamento de um vídeo da então VJ Daniela Cicarelli em cenas íntimas com o namorado em uma praia na Espanha. “A Daniela conseguiu tirar o Youtube do ar. Lembro que durante três dias recebi milhares de e-mails querendo a ‘cabeça’ dela, assim como a minha. As pessoas estavam em polvorosa, virou quase uma questão de estado”, conta o ex-diretor.
Para ele, o começo da MTV talvez tenha sido a “época de ouro” da emissora, por inaugurar um canal completamente diferente do que já existia. O melhor Ibope, no entanto, aconteceu a partir de 1999, com programas como “Fica Comigo”, “Barraco MTV”, “Piores Clipes do Mundo” e “Erótica”. “Essa foi uma fase de boa audiência e, consequentemente, faturamento”, afirma.
A relação com a imprensa também é um dos pontos abordados na obra. Segundo Zico, muitos veículos tinham certa “má vontade” com a emissora. “Existiam várias críticas infundadas, uma espécie de ‘pegar no pé’. Havia muita especulação, principalmente no fim. A Folha de S.Paulo , por exemplo, sempre foi muito crítica com a gente”, completa.
A “grande vilã” para o fim do canal, segundo Góes, foi a internet. “Começamos a perder nosso público. Havia uma pulverização do conteúdo e a internet traz o que oferecíamos antes”. Sobre a nova MTV, Zico acredita que seja muito pragmática. Ao aplicar o modelo americano, apostou em programas de reality show , ficção – produtos já prontos, “mastigados”. “Mas eles estão certos. Voltar para o modelo antigo não fazia sentido”.
Zico ainda cultiva outros projetos em relação à MTV. Um deles é transformar a série de programas do “My MTV”, que reúne entrevistas com mais de 40 VJs que passaram pela emissora, em um livro. “Acho que a história da MTV ainda precisa ser mais bem contada”, finaliza.