À guisa do ocorrido no Brasil, ataques à imprensa marcam eleições nigerianas

Realizadas no sábado (25fev/23), as eleições presidenciais nigerianas ensejaram uma série de comparações entre o "gigante da África&quo

Atualizado em 27/02/2023 às 10:02, por Redação Portal IMPRENSA.

Realizadas no sábado (25fev/23), as eleições presidenciais nigerianas ensejaram uma série de comparações entre o "gigante da África" e o Brasil.
País mais populoso (213 milhões de habitantes) e com a maior economia (PIB de US$ 440,8 bi em 2021) da região, a Nigéria também está fortemente polarizada. Até a publicação desse texto, não se sabia se haveria segundo turno, dada a profunda divisão ideológica do país, impulsionada por peças de desinformação compartilhadas em aplicativos de mensagens e redes sociais.

Em outra semelhança com o Brasil, a Nigéria também sofre com profunda desigualdade social e enfrenta dificuldades aparentemente intransponíveis de engrenar um projeto de desenvolvimento que permita virar a página do modelo colonial baseado em exportação de commodities e importação de manufaturados. Crédito: Reprodução CNN/MicheleSpatari/AFP Membro de um partido político discute com autoridade eleitoral nigeriana em Abuja, no dia 25 de fevereiro de 2023

Liberdade de imprensa

Outra característica une os dois países. Assim como ocorreu nas eleições brasileiras de 2022, o pleito democrático nigeriano também protagonizou uma série de ataques a profissionais de imprensa, em diferentes regiões do país. A peculiaridade é que, na maioria dos casos, os agressores apagaram arquivos dos celulares das vítimas, num basilar atentado à liberdade de imprensa.
Chefe na agência de checagens nigeriana Round Check, o jornalista Adesola Ikulajolu foi parado por autoridades na capital Lagos enquanto cobria as eleições para o escritório africano do Comitê de Proteção a Jornalistas. Os agentes de segurança só o liberaram após apagarem uma série de pastas com arquivos de imagem de seu celular.
Também em Lagos, a jornalista Taofeekat Adebola Ajayi, do Peoples Gazette, foi parada por um grupo de homens, alguns vestindo roupas de policiais, enquanto cobria as eleições. Eles também só a liberaram após apagar uma série de arquivos de seu celular. Já o jornalista investigativo Dayo Aiyetan foi atacado na cidade de Gwagwalada. Ao fazer imagens do movimento em um colégio eleitoral local, ele foi cercado por um grande número de pessoas, que o derrubaram, arrancaram suas roupas e roubaram sua carteira e celular. No Twitter Dayo contou que após lutar com todas as forças conseguiu evitar que os agressores levassem sua câmera.
Na cidade de Ibadan, estado de Oyo, um grupo de jovens armados com pedaços de paus atacou um carro de reportagem da News Agency Nigeria onde estavam três colaboradores do veículo. Os agressores não queriam que a equipe cobrisse as eleições nigerianas.
Gbenga Oloniniran, repórter do Mobile Punch, também foi agredido e teve arquivos de seu celular apagados enquanto cobria as eleições. O caso ocorreu em Port Harcour. Os agressores são policiais, que chegaram a prender o profissional de imprensa.
A jornalista Bolanle Olabimtan, do veículo online independente The Cable, também foi alvo de um ataque, neste caso realizado por um apoiador do partido político PDP, que a jogou no chão e levou seu celular. O aparelho acabou devolvido sem uma série de arquivos e conteúdos.
Akam James, do Daily Post Nigeria, e colegas do Upfront News também foram atacado por apoiadores do PDP, que levaram os celulares dos profissionais de imprensa no estado de Bayelsa.