“A grande reportagem não está morrendo”, afirma Adriana Carranca

“Jornalista de reportagem especial é um contador de história. Ele vai até ela, vive, presencia e depois escreve”. Essa foi a definição de&nb

Atualizado em 26/08/2013 às 15:08, por Gabriela Ferigato.

“Jornalista de reportagem especial é um contador de história. Ele vai até ela, vive, presencia e depois escreve”. Essa foi a definição de Adriana Carranca, repórter especial de O Estado de S. Paulo , durante a Oficina de Jornalismo e Comunicação com o tema “Construindo uma grande reportagem”, realizada por IMPRENSA editorial no último sábado (24/8).

Crédito:Maíra Rossetti Segundo Adriana Carranca, a pauta nem sempre é um furo de reportagem Adriana, que também colabora com publicações internacionais como a revista americana Foreign Policy , cobriu extensamente a guerra no Afeganistão e Paquistão. Além disso, se aprofundou na realidade de países muçulmanos como Irã, Egito e Indonésia para coberturas especiais.

Segundo ela, existe um caminho básico para a construção dessas matérias: pauta, apuração, texto e edição. “A pauta é essencial. Ela precisa ser o mais completa possível, não apenas uma ideia. Se ela for ruim, a apuração será incompleta”, afirmou. Pesquisar o que já foi escrito sobre o assunto, quais foram são as fontes procuradas, conversar com acadêmicos, buscar estudos e leis sobre o tema são algumas das dicas. “Não tenham medo de perder tempo com pauta”, aconselhou.

Ela destaca que a pauta nem sempre é um furo. Pode ser uma boa sacada. Como exemplo, a jornalista cita uma das matérias feitas para o Estadão . Todo ano é divulgado o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e, consecutivamente, é publicado nos jornais brasileiros. Não é novidade. Adriana, com a informação, resolveu visitar a cidade com o maior índice (nesta edição foi a cidade de São Caetano do Sul - ABC Paulista) e a com menor (Centro do Guilherme – Maranhão) para estudar as duas diferentes realidades e elaborar uma reportagem especial. “As pessoas leem o jornal para entender o que o veículo pensa sobre um determinado assunto e espera encontrar um olhar mais aprofundado sobre ele”, observou.

Outro aspecto importante, de acordo com Adriana, são os personagens. “Não consigo imaginar um texto sem personagem. Um assunto sempre interfere na vida de alguém. É importante sempre pensar quem é aquela pessoa além da entrevista. ‘Ele tem filhos?’ ‘Qual a relação com os pais?’. Construo tudo isso na minha cabeça, mesmo que eu não vá usar no texto”. Nesse contexto, ela ressalta a importância da entrevista pessoalmente, pois o ambiente, as expressões, os gestos e as sensações são importantes para a elaboração da reportagem.

O jornalismo literário é um estilo muito recorrido para a construção das reportagens especiais. Para a jornalista, é necessário sempre buscar profundidade e clareza. Na etapa da edição, ela observa a importância da checagem dos fatos e dados, pensar no tamanho da matéria e no espaço que ela ganhará no veículo e, sempre que possível, oferecer outros recursos além do texto (como arte, infográficos e fotos).

Muitas vezes as histórias vão muito além do espaço reservado no jornal. Foi assim que a jornalista publicou seus dois livros-reportagem. “O Irã sob o Chador” (editora Globo) e “O Afeganistão depois do Talibã” (editora Civilização Brasileira/ Record), e se prepara para lançar o terceiro, sobre o Paquistão, pela Cia. das Letras.

Sobre a Oficina, Adriana afirmou que o mais importante para os participantes foi conhecer a experiência de quem está no mercado. “Jornalismo você aprende na prática, mas eu dividi com eles a minha experiência. Acho muito legal ver que há interesse nesse tema, ainda mais na época da internet. A grande reportagem não está morrendo”, finalizou.


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