A febre das "meninas" que fazem notícia na imprensa
A febre das "meninas" que fazem notícia na imprensa
Desde o mês de maio do ano passado, quando a britânica Madeleine McCann desapareceu, aos três anos de idade, durante as férias de sua família na Praia da Luz, em Portugal, parece que uma febre tomou conta da imprensa brasileira. Toda a santa vez em que "Maddie" era citada, antes aparecia a palavra "menina". Ou seja, ela deixava de ser simplesmente Madeleine McCann para ser a "menina Madeleine McCann".
Como se trata de um caso que até hoje não teve solução, embora a polícia portuguesa já tenha encerrado as investigações por falta de provas, o novo batismo de Madeleine se mantém como uma praga nos textos jornalísticos a seu respeito.
O vício parece ter tomado conta das redações e foi repassado, mais tarde, ao "Caso Isabella". A criança de cinco anos, que supostamente foi jogada pela janela do apartamento do pai por ele próprio, depois de agredida pela madrasta, também foi massivamente chamada pela mídia de a "menina Isabella Nardoni". Puxem pela memória: quase todos os textos publicados, além das matérias de TV e rádio, davam "novas informações" sobre o assassinato da "menina" Isabella.
Na época do crime, Rodrigo Manzano, diretor Editorial de IMPRENSA, publicou uma coluna batizada de "Carta à Isabella", na qual ilustrava com a frase "Pequena menina Isabella, de apenas cinco anos" a forma como a mídia se referia à Isabella Nardoni.
A "menina" do momento, no entanto, não é fruto - enfim - de nenhuma tragédia. Dessa vez, trata-se de Maísa que, aos seis anos, vem alavancando a audiência das manhãs de sábado do SBT e, agora, das tardes de domingo da emissora, com um quadro no "Programa Silvio Santos".
Conhecida por sua espontaneidade - própria das crianças de sua idade - e suas tiradas rápidas e espirituosas, Maísa é notícia freqüente em jornais, sites, programas de TV e revistas especializadas, além de ser um dos nomes mais buscados no site de vídeo YouTube no Brasil. Mais uma vez, no entanto, a "febre" dos substantivos toma conta das matérias e a apresentadora Maísa torna-se, frequentemente, a "menina Maísa".
Linguisticamente falando, não há nada errado em anteceder o nome das crianças acima citadas com substantivo "menina". No entanto, o leitor há de convir, que é um artifício totalmente dispensável. Imagine só se resolvermos colocar antes de cada nome próprio um substantivo semelhante? As matérias ficariam ligeiramente curiosas: O "homem" Luciano Huck renova seu contrato com a Globo; a "mulher" Xuxa fecha contrato com TV argentina; a "adolescente" fulana, e assim por diante. Que tal?





