"A entrevista é uma troca de energias", diz o apresentador Roberto D'Ávila

Jornalista já conversou com personalidades de peso ao longo de mais de 40 anos de carreira

Atualizado em 29/07/2014 às 15:07, por Alana Rodrigues*.

"A entrevista é uma troca de energias. Às vezes, a pergunta mais simples pode suscitar uma resposta interessante". A definição é de Roberto D'Ávila, âncora do programa de entrevistas que leva seu nome na GloboNews. Ao longo de mais de 40 anos de carreira, o jornalista conversou com diversas personalidades de peso.
Crédito:Divulgação D'Ávila diz que entrevista é uma troca de energias
D'Ávila passou uma série de emissoras e fundou empresas de comunicação. Chegou a estudar Direito pela Universidade de São Paulo (USP), mas não se formou. Foi para a França e lá cursou história e jornalismo. Para ele, não é fundamental ter o diploma na área. “O jornalismo necessita de uma cultura geral. Aprender a escrever, evidentemente. O mais importante é estudar e ler muito”, diz.
Conhecido por suas entrevistas com grandes nomes, o jornalista destaca o momento em que conversou com Fidel Castro, pelo fato de o revolucionário comunista ter concedido uma entrevista após 25 anos e pela primeira vez à TV brasileira, e o encontro com o político espanhol Felipe González, quando falou sobre a transição democrática no Brasil.
Com cerca de mil entrevistas produzidas ao longo da carreira, o jornalista diz que ainda quer contar muitas histórias. Entre as personalidades que gostaria de entrevistar está o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sua esposa, Michelle Obama, a ex-secretária de Estado americana, Hilary Clinton, e o presidente cubano Raúl Castro.
O jornalista esclarece que não há uma fórmula para ser um bom entrevistador. Na visão dele, o importante é conseguir empatia com o entrevistado e dar a ele o tempo necessário para desenvolver uma ideia. "Cada um tem um estilo. Há entrevistadores que são um pouco mais agressivos. Eu prefiro conquistar o entrevistado. Aí se ele se sentir à vontade ele vai falar melhor e se abrir mais. Não faço inquérito, faço conversa", acrescenta.
D'Ávila também se enveredou pela política durante dez anos. Foi vice-prefeito no Rio de Janeiro, secretário de turismo, esportes, cultura e do meio-ambiente. No Congresso Nacional foi deputado constituinte, presidente da subcomissão de Relações Internacionais da Câmara dos Deputados e membro da Comissão de Ciência e Tecnologia.
Retornar ao jornalismo foi outro desafio. Sua estreia na GloboNews em março deste ano trouxe com exclusividade o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa.
"A política foi um desfio e uma coragem consciente. Abandonar uma profissão é complicado. Fiquei na vida pública durante dez anos e acabei me envolvendo. Para voltar [é complicado] também, mas sempre me esforcei para fazer o melhor", pondera.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves.