A dura vida dos jornalistas na Argentina
A dura vida dos jornalistas na Argentina
De Buenos Aires
Enquanto no Brasil o debate em torno do Conselho de Jornalismo pega fogo, na Argentina outras pendengas agitam a categoria.
Deste lado do Rio da Prata não existe nenhum pré-requisito para que alguém exerça a profissão e a imensa maioria dos redatores, editores e repórteres que estão no mercado aprendeu a profissão na prática.
Em alguns cursos de mestrado em jornalismo não é necessário sequer o diploma universitário. Basta provar que se trabalha na área para o aluno começar a assistir as aulas.
As novas gerações, porém, estão buscando adquirir alguma formação antes de começar a trabalhar na redação. Entre as opções para quem busca o aprendizado na área estão algumas escolas de jornalismo que tem nível técnico e duram entre dois e três anos. Existem, ainda, as faculdades de jornalismo, com duração de quatro anos.
A primeira faculdade de jornalismo Argentina nasceu em 1960, mas foi na década de 90, com a expansão do ensino particular, que muitas universidades abriram seus cursos de comunicação, de olho num mercado que estava crescendo.
Embora ainda se mantenha em alta a procura pelos cursos de jornalismo, o mercado de trabalho vem diminuindo vertiginosamente desde a crise de 2001. E os salários não são dos mais animadores. Um estagiário normalmente não é remunerado e quando ganha alguma coisa, o soldo chega, quando muito, a 500 pesos, equivalente a 500 reais mensais, por até 12 horas de labuta. Já o salário inicial de um jornalista recém formado é de mil pesos.
Um divisor de águas nos salários das principais redações foi a crise de 2001, que desvalorizou o peso argentino. A partir daí os soldos dos que já trabalhavam ficaram praticamente congelados e os contratados pós crise começaram a trabalhar com salários muito mais baixos.
A crise também tem feito com que, em muitas redações, alguns funcionários sejam promovidos de cargo mas continuem ganhando o mesmo salário. Ou seja. Um editor de esportes consegue chegar a chefe de redação, mas sem ganhar um centavo a mais...
Segundo um repórter de um canal de televisão, que não quis se identificar, a discussão da regulamentação da profissão é um problema menor diante do que a crise fez com o setor. "Quem tem talento consegue se estabelecer com ou sem diploma e o jornalista que comete algum abuso acaba sendo punido pelo próprio meio de trabalho. Mas o nosso principal problema agora é legalizar a situação de muitos de nossos companheiros, já que grande parte deles é registrado com um salário baixo e recebe o resto do salário por fora, muitas vezes com atraso ou mesmo em ticket refeição. Acho que o sindicato tem que lutar por essa prioridade".






