A Dor da Imagem
A Dor da Imagem
Atualizado em 10/01/2008 às 19:01, por
Marlon Maciel.
Por O último dia 25 janeiro era para ser como outro qualquer na vida do repórter-fotográfico do jornal O Globo , Marcos Tristão, de 49 anos. Deixar a redação, encontrar a polícia e subir o morro com outros colegas para mais uma pauta para a editoria de Polícia. Dessa
vez, entretanto, uma surpresa o esperava na Vila Cruzeiro, próxima ao conjunto de favelas do Alemão, subúrbio do Rio de Janeiro. Por mais de meia hora, policiais e jornalistas ficaram encurralados sob uma chuva de tiros. Desprotegido e no meio do fogo cruzado, a única saída foi se esconder entre um trailer e o muro de uma escola. Os tiros batiam na parede a menos de dois metros. Sair dali não dava. Era suicídio. Ficar, por sua vez, era perigoso demais. O jeito foi continuar fotografando, como se a câmera fosse mais um fuzil no meio da guerra. Tristão sobreviveu e as imagens ganharam destaque na edição do dia.
O resgate do grupo só aconteceu com a chegada do "Caveirão", a viatura blindada da PM da cidade maravilhosa. "Teve muito tiro. Vinha na paralela, na diagonal e na perpendicular", descreve. Também foi lá na Vila Cruzeiro que, em 2002, o jornalista Tim Lopes, amigo de Tristão, foi capturado pela quadrilha de Elias Maluco, depois de produzir uma série de reportagens denunciando a venda livre de drogas e shows de sexo explícito com menores em bailes funks na favela.
Ossos do ofício. Marcos Tristão cobre violência no Rio de Janeiro há 20 anos. "A grande foto do Rio, hoje, é a violência", conta o fotojornalista, que acompanhou a prisão dos chefões do jogo do bicho, as chacinas da Candelária e de Vigário Geral, os assassinatos da atriz Daniele Perez e de PC Farias e o enterro do menino João Hélio, morto no dia 7 de fevereiro deste ano, depois de ser arrastado por bandidos por 7 quilômetros pelas ruas da zona norte da cidade. Quando trabalhou para o jornal O Dia , onde desenvolveu profunda amizade com Tim, dedicou-se por 14 anos às pautas sobre o tráfico. Tristão convive de perto com a dor das vítimas, com a tragédia das ruas. E faz da sua fotografia documento de uma realidade brutal. Como no caso da menina Alana Ezequiel, de 12 anos, morta em março durante um tiroteio, no Morro dos Macacos, quando tentava levar o irmão mais novo para a creche, a pedido da mãe, Edna.
Leia a matéria completa na edição 230 de IMPRENSA
vez, entretanto, uma surpresa o esperava na Vila Cruzeiro, próxima ao conjunto de favelas do Alemão, subúrbio do Rio de Janeiro. Por mais de meia hora, policiais e jornalistas ficaram encurralados sob uma chuva de tiros. Desprotegido e no meio do fogo cruzado, a única saída foi se esconder entre um trailer e o muro de uma escola. Os tiros batiam na parede a menos de dois metros. Sair dali não dava. Era suicídio. Ficar, por sua vez, era perigoso demais. O jeito foi continuar fotografando, como se a câmera fosse mais um fuzil no meio da guerra. Tristão sobreviveu e as imagens ganharam destaque na edição do dia.
O resgate do grupo só aconteceu com a chegada do "Caveirão", a viatura blindada da PM da cidade maravilhosa. "Teve muito tiro. Vinha na paralela, na diagonal e na perpendicular", descreve. Também foi lá na Vila Cruzeiro que, em 2002, o jornalista Tim Lopes, amigo de Tristão, foi capturado pela quadrilha de Elias Maluco, depois de produzir uma série de reportagens denunciando a venda livre de drogas e shows de sexo explícito com menores em bailes funks na favela.
Ossos do ofício. Marcos Tristão cobre violência no Rio de Janeiro há 20 anos. "A grande foto do Rio, hoje, é a violência", conta o fotojornalista, que acompanhou a prisão dos chefões do jogo do bicho, as chacinas da Candelária e de Vigário Geral, os assassinatos da atriz Daniele Perez e de PC Farias e o enterro do menino João Hélio, morto no dia 7 de fevereiro deste ano, depois de ser arrastado por bandidos por 7 quilômetros pelas ruas da zona norte da cidade. Quando trabalhou para o jornal O Dia , onde desenvolveu profunda amizade com Tim, dedicou-se por 14 anos às pautas sobre o tráfico. Tristão convive de perto com a dor das vítimas, com a tragédia das ruas. E faz da sua fotografia documento de uma realidade brutal. Como no caso da menina Alana Ezequiel, de 12 anos, morta em março durante um tiroteio, no Morro dos Macacos, quando tentava levar o irmão mais novo para a creche, a pedido da mãe, Edna.
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